Pedido de aprovação regulatória
Uma startup japonesa deu um passo importante na busca por um tratamento contra a insuficiência renal crônica em gatos. O Institute for AIM Medicine solicitou aprovação regulatória ao Ministério da Agricultura do Japão. O pedido foi baseado em resultados positivos obtidos em testes clínicos em fase inicial.
A empresa, fundada por Toru Miyazaki, desenvolve uma terapia inovadora para a doença que afeta milhões de felinos no mundo. O estudo mais recente, publicado no The Veterinary Journal, mostrou aumento significativo na sobrevida dos animais tratados.
Resultados dos testes clínicos
O estudo acompanhou 26 gatos por um ano, divididos em dois grupos: 11 receberam o tratamento e 15 formaram o grupo de controle. Entre os animais tratados, a taxa de sobrevivência acumulada ficou entre 80% e 83%. Já entre os não tratados, a taxa de sobrevivência foi de cerca de 20%.
Os dados indicam um potencial promissor para a terapia. A fonte não detalhou os critérios de seleção dos animais nem os possíveis efeitos colaterais.
Interrupção e retomada da pesquisa
O desenvolvimento do medicamento foi interrompido durante a pandemia de covid-19 por falta de recursos. A pesquisa só foi retomada após doações que somaram cerca de 300 milhões de ienes entre 2021 e 2022. O montante permitiu que os estudos avançassem até a fase atual.
Mecanismo da terapia
A terapia é baseada na proteína AIM (Apoptosis Inhibitor of Macrophage), descoberta por Toru Miyazaki em 1999. A proteína está presente naturalmente no sangue e atua na limpeza de resíduos celulares. Em condições normais, a AIM permanece inativa, ligada a anticorpos do tipo IgM. Quando há acúmulo de resíduos, a AIM se desprende, se liga a essas substâncias e sinaliza para macrófagos fazerem a remoção.
Pesquisas de 2016 identificaram que a AIM felina não consegue se dissociar adequadamente da IgM. Essa falha impede a limpeza eficiente dos resíduos nos rins, contribuindo para a insuficiência renal crônica.
Abordagens do tratamento
A proposta do tratamento é compensar essa falha por meio da administração direta da proteína AIM ou estimulando sua ativação. Os pesquisadores também desenvolvem compostos capazes de ativar a AIM já presente no corpo. A administração direta da proteína tende a ser mais eficaz em quadros agudos.
Outro avanço envolve métodos de diagnóstico precoce baseados na medição de níveis de AIM livre no sangue. Isso pode permitir intervenções mais precoces e aumentar as chances de sucesso do tratamento.
Ainda não há previsão para a conclusão do processo regulatório nem para a disponibilização do tratamento no mercado. A fonte não detalhou os próximos passos após o pedido de aprovação.
