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UE-Mercosul: disputa por cotas pode reduzir ganhos do Brasil com carne


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UE-Mercosul: disputa por cotas pode reduzir ganhos do Brasil com carne
Crédito: exame.com

O acordo entre União Europeia e Mercosul, que promete reduzir tarifas de importação de carne, enfrenta um obstáculo interno: a divisão das cotas entre os países do bloco sul-americano. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a disputa pode comprometer parte dos benefícios esperados pelo Brasil.

Redução tarifária abre oportunidades

De acordo com o presidente da Abiec, Antônio Perosa, o potencial do acordo está diretamente ligado à redução de tarifas. Antes da implementação, parte das exportações brasileiras enfrentava alíquotas que chegavam a quase 30% em cortes nobres e até 147% em outros produtos. Agora em vigor, essas tarifas podem cair e devem variar de 7,5% a 0%. “Veja essa margem que vai ter, de 147% para 7%. Tem uma margem de dinheiro aí”, afirmou Perosa.

Paraguai reivindica 25% da cota

A divisão das cotas entre os países do Mercosul se tornou um ponto crítico nas negociações. Segundo Perosa, o Paraguai reivindica 25% da cota. No entanto, o Paraguai hoje responde por cerca de 2% a 2,5% das exportações do bloco para a Europa. “Não é factível, não faz sentido nenhum. O país tem um market share pequeno e quer uma reserva de mercado”, criticou o executivo.

Critérios técnicos para divisão

Para Perosa, a divisão deveria seguir critérios técnicos, como capacidade produtiva e histórico de exportações. “A grande justiça é dividir de acordo com a desigualdade de cada um”, disse. A declaração sugere que a Abiec defende uma distribuição proporcional ao desempenho exportador de cada país.

Controle das cotas preocupa setor

Outro ponto de atenção é quem ficará responsável por controlar o uso das cotas. Caso o Mercosul não chegue a um entendimento interno, o controle tende a migrar, na prática, para os importadores europeus. Isso pode reduzir o poder de negociação dos exportadores brasileiros. “O importador pode falar: como você tinha essa margem, eu quero capturar uma parte dela”, alertou Perosa.

Perdas estimadas por tonelada

Nesse cenário, parte relevante do ganho obtido com a redução tarifária seria transferida ao comprador europeu. A estimativa do setor é de perdas entre US$ 600 e US$ 700 por tonelada. A Abiec não detalhou como esse cálculo foi feito, mas o número indica o impacto potencial sobre a rentabilidade das exportações brasileiras.

Enquanto as negociações internas no Mercosul não avançam, o setor produtivo brasileiro aguarda definições que podem determinar o real benefício do acordo com a União Europeia.

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