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Crédito caro e caixa baixo elevam recuperação judicial de empresas


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Crédito caro e caixa baixo elevam recuperação judicial de empresas
Crédito: exame.com

O crédito caro, a dificuldade de refinanciamento e a queda no caixa aumentaram a pressão sobre as empresas brasileiras, levando muitas a buscar a recuperação judicial. O País encerrou 2025 com 977 pedidos de recuperação judicial, maior volume desde 2016, envolvendo 2.466 empresas. No primeiro trimestre de 2026, o agronegócio registrou 474 pedidos, alta de 21,9% sobre o mesmo período de 2025. Esses números refletem um ambiente econômico desafiador, marcado por juros elevados e restrições de liquidez.

Juros altos sufocam o caixa das empresas

Após quatro cortes consecutivos, a Selic chegou a agosto em 14% ao ano. Esse patamar, ainda elevado, encarece o crédito e reduz a capacidade de investimento das companhias. Muitas empresas, especialmente as de menor porte, encontram dificuldade para rolar dívidas ou obter novos financiamentos. A queda no caixa, consequência direta da atividade econômica mais fraca, agrava o cenário. Sem fôlego financeiro, os gestores recorrem à recuperação judicial como alternativa para reorganizar as contas. A fonte não detalhou a evolução da Selic nos meses seguintes.

Agronegócio lidera alta nos pedidos

O setor agropecuário tem sido um dos mais afetados pela combinação de crédito caro e queda nos preços das commodities. No primeiro trimestre de 2026, o agronegócio registrou 474 pedidos de recuperação judicial, alta de 21,9% sobre o mesmo período de 2025. Esse crescimento expressivo reflete a vulnerabilidade de produtores rurais e empresas do setor diante do endividamento. A dificuldade de refinanciamento, somada a eventos climáticos e oscilações de mercado, pressiona o fluxo de caixa. A fonte não detalhou a distribuição regional dos pedidos.

A tendência, segundo especialistas, é de continuidade da pressão no curto prazo.

Gargalos na lei dificultam a recuperação

Especialistas apontam gargalos na Lei de Falências e Recuperação Judicial (11.101/2005), como a fragmentação do passivo, o tratamento de determinadas garantias e a dificuldade de acesso a novos recursos durante a recuperação. Esses entraves tornam o processo mais lento e oneroso, reduzindo as chances de sucesso. A fragmentação do passivo, por exemplo, exige negociação com múltiplos credores, o que aumenta a complexidade. O tratamento de garantias, por sua vez, pode gerar disputas judiciais que atrasam a aprovação do plano.

Sem acesso a novos recursos, a empresa em recuperação muitas vezes não consegue manter suas operações. A fonte não detalhou propostas de reforma legislativa.

Pequenos negócios arcam com custos elevados

O modelo é pesado para pequenos negócios, que precisam arcar com custos de administração judicial, perícias e assessoria especializada. Esses gastos, que podem consumir parte significativa do faturamento, desestimulam a busca pela recuperação judicial. Muitos micro e pequenos empresários desconhecem alternativas ou consideram o processo inviável financeiramente. A falta de acesso a crédito durante a recuperação agrava a situação, pois a empresa não consegue capital de giro para continuar operando. A fonte não detalhou o valor médio desses custos.

Especialistas defendem a criação de um rito simplificado para pequenos negócios, mas não há consenso sobre o tema.

Fundos de investimento veem oportunidade na crise

O cenário abriu espaço para fundos de investimentos focados em dívidas de empresas em crise, que compram esses créditos por um valor bem mais baixo do que o original. Esses fundos, conhecidos como especialistas em ativos estressados, assumem o risco de não receber integralmente em troca de um retorno potencial elevado. A atuação desses investidores pode trazer liquidez ao mercado de crédito, mas também gera controvérsias. Alguns especialistas alertam que a presença de fundos pode dificultar as negociações, pois eles tendem a buscar retornos mais agressivos.

A fonte não detalhou o volume de recursos movimentados por esses fundos. Ainda assim, a tendência é de crescimento desse segmento no Brasil.

Perspectivas para os próximos meses

Guilherme Rebello de Paiva, coordenador jurídico na Bortot Cesar Advogados e especialista em direito empresarial, destaca que o ambiente econômico segue desafiador para as empresas. Ele ressalta que a combinação de juros altos, crédito restrito e queda na atividade econômica deve manter a pressão sobre o caixa das companhias. A expectativa é de que o número de pedidos de recuperação judicial continue elevado, especialmente nos setores mais expostos ao crédito. A fonte não detalhou projeções específicas para 2026.

A recuperação judicial, nesse contexto, torna-se uma ferramenta essencial para evitar a falência e preservar empregos. No entanto, a eficácia do instrumento depende de ajustes legais e de um ambiente econômico mais favorável.

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