Economia

Basis trade de Treasuries perde força entre hedge funds


3 mins de leitura
Basis trade de Treasuries perde força entre hedge funds
Crédito: valor.globo.com

A operação mais popular dos hedge funds no mercado de títulos dos EUA começa a mostrar sinais de esgotamento. Trata-se da chamada basis trade, uma estratégia que envolve a compra de Treasuries à vista e a venda de futuros, lucrando com pequenas diferenças de preço. O movimento, que já movimentou cerca de US$ 1 trilhão, agora enfrenta um ritmo de crescimento mais lento, segundo fontes do mercado.

O que é a basis trade e por que ela perde força

A basis trade é uma estratégia de arbitragem que explora a diferença entre o preço dos títulos do Tesouro dos EUA no mercado à vista e nos contratos futuros. Historicamente, os hedge funds utilizam alavancagem para amplificar os ganhos, tornando a operação altamente lucrativa em períodos de baixa volatilidade.

Chris Horvatin, diretor executivo do Goldman Sachs Group Inc. responsável pelo negócio de operações compromissadas (repo) nos EUA, afirmou que alguns clientes “lamentam que a basis trade esteja ‘morta’ e já não ofereça uma oportunidade tão atraente”. A declaração reflete um sentimento crescente entre os investidores de que os retornos diminuíram significativamente.

A estratégia de US$ 1 trilhão continua gigantesca, mas o que mudou foi o ritmo de crescimento. E, ao menos por enquanto, ele está desacelerando. Esse fenômeno pode ser atribuído a vários fatores, como o aumento da concorrência entre os fundos e a redução dos spreads disponíveis. Quando muitos players entram na mesma operação, as margens se comprimem, tornando o jogo menos atraente.

Impactos no mercado de Treasuries

Caso essa dinâmica persista, ela poderá alterar o funcionamento do mercado de Treasuries, de US$ 31 trilhões, que nos últimos anos passou a depender cada vez mais dos hedge funds para fornecer liquidez e garantir o bom funcionamento das negociações. A presença desses fundos era crucial para absorver grandes volumes de títulos sem causar oscilações bruscas de preço. Com a desaceleração da basis trade, a liquidez pode diminuir, aumentando a volatilidade em momentos de estresse.

Em ambos os casos, as oportunidades para a basis trade estão “sob pressão”, afirmou Carter, do Morgan Stanley. Ele se refere tanto ao mercado à vista quanto ao de futuros, onde os spreads se estreitaram. “Em determinado momento, o retorno dessa estratégia se torna menos atraente à medida que mais e mais recursos entram em posições compradas na basis trade”, explicou. Isso cria um ciclo em que o próprio sucesso da estratégia acaba por corroer seus ganhos.

Riscos e benefícios da desaceleração

Para Nashikkar, do Barclays, a menor dependência da alavancagem dos hedge funds reduz o risco de “ciclos de retroalimentação desestabilizadores” em momentos de estresse. Esses ciclos ocorrem quando, em uma crise, os fundos são forçados a desfazer posições alavancadas rapidamente, amplificando as quedas. Com menos alavancagem, o sistema financeiro como um todo se torna mais resiliente. Por outro lado, a redução da atividade dos hedge funds pode diminuir a profundidade do mercado, tornando-o mais suscetível a choques.

A basis trade, embora menos atraente, ainda existe e continua sendo uma peça importante no quebra-cabeça dos mercados de renda fixa. A diferença agora é que os hedge funds precisam buscar novas estratégias ou aceitar retornos menores. O mercado de Treasuries, por sua vez, terá que se adaptar a uma nova realidade, onde a liquidez pode não ser mais tão abundante quanto antes.

Em resumo, a basis trade está perdendo força, mas não desapareceu. O cenário atual exige que investidores e reguladores fiquem atentos às mudanças na dinâmica do mercado, que podem trazer tanto riscos quanto oportunidades.

Fonte