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Ações da Taurus disparam com trade eleitoral de Flávio


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Ações da Taurus disparam com trade eleitoral de Flávio
Crédito: www.seudinheiro.com

A fabricante de armas Taurus (TASA4) virou destaque no mercado financeiro ao disparar mais de 100% em meio à ascensão de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais, segundo levantamento do instituto Datafolha de 15 de setembro. O movimento, conhecido como “trade eleitoral”, reflete a aposta de investidores em políticas mais favoráveis ao setor armamentista caso o candidato avance. A ação, que já havia reagido de forma semelhante em 2018 antes da eleição de Jair Bolsonaro, voltou a atrair forte fluxo de compra.

Entre a mínima registrada em junho e a máxima alcançada em 21 de setembro, o papel saltou 121%, segundo dados do Google Finance. Esse desempenho colocou a Taurus à frente de gigantes como Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) no mesmo período. A valorização expressiva chama atenção para os fundamentos da companhia e para os riscos envolvidos.

O que explica o salto da Taurus

O principal motor da alta é a expectativa de mudanças na legislação sobre armas. O projeto de lei 3723/2025, de autoria do deputado Marcos Pollon, propõe revogar o Estatuto do Desarmamento e substituí-lo por regras que facilitem o acesso de civis a armas de fogo. O projeto, detalhado pelo deputado Marcos Pollon, visa substituir as regras atuais por uma legislação que facilite o acesso de civis a armas de fogo.

Essa proposta encontra eco na base eleitoral de Flávio Bolsonaro, o que amplia a percepção de que a Taurus seria beneficiada.

Além disso, a empresa tem forte dependência do mercado externo. Grande parte da produção, sediada em São Leopoldo (RS), é exportada para os Estados Unidos. Portanto, qualquer sinal de redução de barreiras comerciais ou de estímulo ao consumo de armas no Brasil tende a impactar diretamente as receitas. A combinação de fatores políticos e regulatórios criou um cenário propício para a valorização.

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O peso das tarifas americanas

A Taurus foi uma das mais atingidas pelas tarifas do governo norte-americano sobre o Brasil. No ápice das tarifas, no ano passado, a taxação chegou a 50%. O CEO Salesio Nuhs chegou a dizer que a taxa poderia inviabilizar completamente as operações da companhia. Esse cenário pressionou as margens e limitou o potencial de crescimento.

Após a suspensão parcial e a nova rodada de tarifas, a alíquota cumulativa sobre os produtos brasileiros exportados para os EUA caiu para 37,5%. Ainda assim, o patamar segue elevado. Marcos Saravalle, CIO da Krivo Capital, disse que a Taurus é uma das que mais sofre por conta das tarifas. Nos cálculos do gestor, a queda das taxas poderia adicionar de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões ao Ebitda.

Para efeito de comparação, a companhia fechou o segundo trimestre com Ebitda de R$ 124 milhões. Ou seja, o alívio tarifário poderia mais do que dobrar o resultado operacional. Esse potencial explica por que investidores reagem a cada notícia sobre negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Dependência do mercado externo

A Taurus tem pouca participação no mercado brasileiro. O mercado interno representa 35% da receita da Taurus, conforme o último balanço trimestral. Essa concentração no exterior torna a empresa vulnerável a oscilações cambiais e a políticas comerciais de outros países. Por outro lado, a eventual aprovação de uma legislação mais permissiva no Brasil poderia reequilibrar essa balança.

O histórico recente mostra que a ação reage fortemente a gatilhos políticos. Em 2018, antes de Jair Bolsonaro ser eleito, a ação da empresa também disparou. Naquele momento, o mercado antecipou a flexibilização do acesso a armas, o que impulsionou as vendas e o lucro. Agora, com Flávio Bolsonaro em ascensão, o fenômeno se repete, ainda que em magnitude diferente.

Riscos e desempenho de longo prazo

Apesar do rali recente, o histórico de cinco anos é desfavorável. Entre setembro de 2021 e setembro de 2026, a Taurus perdeu 60% do valor de mercado, segundo dados da B3. Essa queda reflete a combinação de tarifas elevadas, concorrência acirrada e instabilidade regulatória. Portanto, o atual movimento de alta pode ser visto como uma recuperação parcial, e não como uma tendência consolidada.

Investidores que apostam no “trade eleitoral” precisam considerar que o resultado das urnas é incerto. Além disso, mesmo com a vitória de um candidato favorável, a implementação de mudanças legislativas depende de negociação no Congresso. A fonte não detalhou o cronograma do projeto de revogação do Estatuto do Desarmamento, o que adiciona incerteza.

Outro ponto de atenção é a exposição cambial. Como a maior parte da receita vem de exportações, a valorização do real frente ao dólar pode reduzir a competitividade e comprimir margens. A Taurus não divulgou projeções oficiais para o impacto cambial, mas analistas acompanham de perto essa variável.

O que esperar daqui para frente

O desempenho da Taurus nos próximos meses dependerá de dois fatores principais: o desfecho das negociações tarifárias com os EUA e o avanço da agenda de armas no Brasil. Caso as tarifas recuem para níveis próximos de zero, o Ebitda poderia crescer de forma expressiva, conforme estimativa de Marcos Saravalle. Por outro lado, se o projeto de revogação do Estatuto do Desarmamento perder força, a ação pode devolver parte dos ganhos.

Para o investidor pessoa física, é fundamental separar o movimento especulativo de curto prazo da tese de longo prazo. A Taurus continua sendo uma empresa com forte dependência do mercado americano e com histórico de volatilidade elevada. A fonte não detalhou se há planos de expansão da produção ou de diversificação geográfica.

Enquanto isso, o mercado seguirá monitorando as pesquisas eleitorais e os discursos de Flávio Bolsonaro sobre segurança pública e armamento. Qualquer sinalização concreta pode gerar novos picos de volatilidade. A recomendação é acompanhar os balanços trimestrais e as notas oficiais da companhia para avaliar se o rali tem sustentação.

Em resumo, a Taurus vive um momento de euforia pontual, mas os fundamentos ainda carregam riscos relevantes. Para mitigar riscos, o investidor pode limitar a exposição a ativos de alta volatilidade política a uma pequena parcela da carteira e definir pontos de saída com base em análise técnica ou fundamentalista.

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