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El Niño no Brasil: impacto no PIB e inflação da América Latina


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El Niño no Brasil: impacto no PIB e inflação da América Latina
Crédito: www.seudinheiro.com

O Oceano Pacífico está 1,5°C acima da média histórica, acendendo um alerta para a economia da América Latina. O super El Niño deve trazer temperaturas mais altas e chuvas intensas para boa parte da região, afetando desde a agricultura até a geração de energia. Um estudo do Goldman Sachs, com base em duas décadas de dados, simulou o impacto do fenômeno sobre sete das principais economias latino-americanas — Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México e Peru.

Os resultados mostram que o Brasil, ao lado do Equador, está entre os mais penalizados.

Queda média de 0,36 ponto no PIB

Na média da região, que o banco chama de LA7, o crescimento cai 0,36 ponto percentual (pp) ao longo dos quatro trimestres seguintes ao início do fenômeno. Olhando só para o grupo LA5, sem Equador e Peru, a queda é de 0,45 ponto. O Equador é o mais penalizado, com uma contração estimada de 1,85 ponto percentual. O Brasil vem logo atrás, com queda estimada de 1,21pp do Produto Interno Bruto (PIB).

A Argentina é a grande exceção positiva: o Goldman estima uma expansão de 2,57 pps, puxada por condições hídricas mais favoráveis para a agricultura. Essa diferença reflete a diversidade de impactos climáticos na região. Enquanto alguns países sofrem com secas, outros podem se beneficiar de chuvas em excesso.

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Hidrelétricas são o elo frágil

O relatório aponta o mesmo vilão nos dois casos: a hidrelétrica. No Brasil, cerca de metade da geração de energia vem de hidrelétricas; no Equador, essa fatia é ainda maior. Menos chuva nessas regiões significa menos água nos reservatórios — e isso se traduz em restrição energética e perdas agrícolas. No caso equatoriano, o banco soma ainda o risco de enchentes costeiras e danos à infraestrutura.

Essa dependência hídrica torna as economias vulneráveis a variações climáticas. Quando os reservatórios baixam, o custo da energia sobe e a produção agrícola pode ser comprometida. O efeito cascata atinge preços e atividade econômica.

Inflação de alimentos sobe 1,40 pp

Segundo as estimativas do Goldman, um El Niño típico acelera a inflação cheia do LA7 em 1,04 pp e a inflação de alimentos em 1,40 pp — este último efeito é o único estatisticamente robusto entre os dois. Os países que mais sentem a pressão nos preços, além da Argentina, são Brasil, Colômbia e Chile, com um efeito mais brando no Equador. México e Peru, pelas contas do banco, praticamente não sentem o impacto na inflação.

O Peru quase não aparece nos números de um El Niño global. No entanto, o Goldman chama atenção para uma variante mais localizada, o El Niño Costero, que afeta o litoral do Peru e do Equador com chuvas e enchentes extremas, como em 2017.

El Niño Costero pode ser pior

Nesse cenário mais específico, o efeito regional é ainda maior: o PIB do LA7 cairia 0,74 pp, um resultado estatisticamente significativo, ao contrário do choque global. O próprio banco central peruano (BCRP) já incorporou um cenário extremo de El Niño Costero em suas contas, projetando um efeito de -0,9 ponto no crescimento, com revisão do PIB de 2026 para 3,2% (de 3,4%) e de 2027 para 3,0% (de 3,2%).

Para investidores, o recado é claro: o clima é uma variável econômica relevante. Considere, por exemplo, reduzir exposição a setores dependentes de hidrelétricas no Brasil e no Equador, ou avaliar ativos argentinos beneficiados por chuvas favoráveis, sempre com base em análises específicas de cada carteira.

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