A adoção de inteligência artificial nas empresas brasileiras já é uma realidade: 80% das companhias afirmam usar IA de alguma forma. No entanto, a forma como essa tecnologia é incorporada ainda é majoritariamente desestruturada, segundo levantamento da Totvs. O estudo aponta que 93% das organizações adotam IA sem um planejamento ou governança adequados, o que pode gerar riscos e ineficiências.
Falta de gestão financeira e de resultados
Além da falta de estrutura, a gestão financeira dos projetos de IA é negligenciada. De acordo com os dados, 86% das empresas não medem os custos de implementação das iniciativas de inteligência artificial. Sem esse controle, fica difícil avaliar o retorno sobre o investimento e priorizar projetos que realmente tragam valor ao negócio.
O acompanhamento dos resultados também é falho: 88% das organizações não monitoram os impactos gerados pelos projetos de IA. Essa ausência de métricas impede que as empresas identifiquem o que funciona e o que precisa ser ajustado, perpetuando um ciclo de adoção sem aprendizado.
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Insegurança e lacuna de conhecimento entre funcionários
No dia a dia dos funcionários, a insegurança é um fator relevante. O levantamento mostra que 43% dos colaboradores têm receio de cometer erros por confiar demais na IA. Esse dado reflete a falta de treinamento e de diretrizes claras sobre como usar as ferramentas de forma segura e eficaz.
Outro desafio é a lacuna de conhecimento: 37% dos funcionários afirmam não saber usar as ferramentas de IA corretamente. A ausência de capacitação adequada pode levar a erros operacionais, retrabalho e até mesmo a um uso superficial da tecnologia, que não explora todo o seu potencial.
Capacitação e governança ainda incipientes
A oferta de treinamento estruturado é rara: apenas 7% das empresas oferecem capacitação sobre IA para toda a equipe. Esse número contrasta com a necessidade evidente de preparar os colaboradores para lidar com uma tecnologia que já está presente no cotidiano de oito em cada dez empresas.
A governança de IA também é incipiente. Somente 14% das empresas possuem uma política formal de governança relacionada à inteligência artificial. Sem regras claras sobre ética, privacidade, segurança e responsabilidade, as organizações ficam expostas a riscos legais e reputacionais.
Investimentos em capacitação: um sinal positivo
Por outro lado, há um movimento de investimento em capacitação: cerca de 46% das empresas fazem investimentos massivos na capacitação dos funcionários para o uso da inteligência artificial. Esse dado sugere que, apesar das lacunas, uma parcela significativa das organizações reconhece a importância de preparar suas equipes.
Recomendações para uma adoção estruturada
Diante desse cenário, especialistas recomendam que as empresas adotem uma abordagem mais estruturada para a implementação de IA. Isso inclui definir objetivos claros, medir custos e resultados, estabelecer políticas de governança e investir em treinamento contínuo. O estudo não detalha quais setores ou portes de empresa apresentam maior maturidade na adoção.
Para evitar ciladas na aplicação de IA, comece com um projeto piloto de escopo limitado, definindo métricas como redução de custo operacional ou tempo de resposta, e avalie os resultados após 90 dias. Além disso, realize reuniões trimestrais para explicar o papel da IA, seus limites e casos de uso permitidos, e disponibilize um canal para dúvidas dos funcionários.
Panorama geral e alerta
O levantamento da Totvs não especifica a metodologia ou o período de coleta dos dados. Ainda assim, os números revelam um panorama de adoção acelerada e gestão imatura. O estudo também não informa se houve diferenças regionais ou setoriais nos resultados.
Em resumo, a inteligência artificial já faz parte da rotina da maioria das empresas, mas a falta de estrutura, governança e capacitação pode transformar a promessa de eficiência em fonte de riscos e desperdícios. Os dados servem como alerta para que as organizações revisem suas estratégias de adoção de IA antes de ampliar os investimentos.
