O Bradesco está prestes a receber um aporte de até R$ 10 bilhões de suas controladoras, com conclusão prevista para 30 de setembro de 2026. O diretor financeiro (CFO) do banco, Cassiano Scarpelli, afirmou que a instituição não vai acelerar o crescimento mesmo com o reforço de capital. “Não queremos voo de galinha”, disse o executivo, sinalizando uma estratégia de expansão sustentável e sem euforia.
O anúncio ocorre em um momento de resultados positivos. No segundo trimestre de 2026, o Bradesco registrou lucro líquido de R$ 7,050 bilhões, um avanço de 16,2% na comparação anual. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 16%, alta de 1,4 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. A carteira de crédito ampliada somou R$ 1,137 trilhão, crescimento de 11,6% em doze meses.
O desempenho das ações também reflete o momento. Em 2026, os papéis preferenciais BBDC4 acumulam valorização de 2,69%, e o valor de mercado do banco é de R$ 189,44 bilhões. Ainda assim, a diretoria prefere cautela. O aporte bilionário, segundo o CFO, não será usado para uma expansão agressiva da carteira, mas para fortalecer a estrutura e garantir solidez no longo prazo.
Capital reforçado, mas sem pressa para crescer
O aumento de capital de até R$ 10 bilhões, compromisso assumido pelas controladoras do Bradesco, deve ser concluído até o fim deste mês. O montante representa um fôlego significativo para o banco, que já vinha apresentando melhora consistente em seus indicadores. No entanto, a gestão deixa claro que não pretende usar os recursos para acelerar a concessão de crédito de forma desordenada.
“Não queremos voo de galinha”, reforçou Scarpelli, em referência a um crescimento rápido, porém insustentável. A expressão, comum no mercado financeiro, descreve movimentos de alta seguidos por quedas bruscas. O Bradesco, segundo o executivo, prefere um ritmo gradual, alinhado à qualidade dos ativos e à capacidade de gerar retorno consistente.
Essa postura é coerente com os números do trimestre. A carteira de crédito ampliada cresceu 11,6% em um ano, atingindo R$ 1,137 trilhão, mas o foco não está apenas no volume. A inadimplência, que ficou em 3,2% no trimestre, tem sido monitorada de perto, e o banco evita repetir erros do passado, quando a expansão acelerada trouxe custos elevados. A transição para um modelo mais rentável e menos arriscado é a prioridade.
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Resultados do 2T26 mostram consistência
O lucro líquido de R$ 7,050 bilhões no segundo trimestre de 2026 representa um avanço de 16,2% sobre o mesmo período de 2025. O ROE de 16% indica que o banco está mais eficiente na geração de valor para os acionistas, com melhora de 1,4 ponto percentual na comparação anual. Esses números reforçam a tese de que a estratégia conservadora tem dado resultados.
No mercado de capitais, as ações BBDC4 acumulam alta de 2,69% em 2026, com valor de mercado de R$ 189,44 bilhões. Embora o desempenho não seja espetacular, reflete a confiança dos investidores na gestão prudente. O aporte de capital, quando concluído, deve fortalecer ainda mais os índices de capital do banco, abrindo espaço para crescimento orgânico sem necessidade de alavancagem excessiva.
O Bradesco não detalhou como os R$ 10 bilhões serão alocados, mas o CFO afirmou que parte será destinada a investimentos em tecnologia e transformação digital. O Bradesco já trabalha em uma nova plataforma de mobile banking, mais conversacional e integrada à assistente virtual Bia. A expectativa é alcançar cerca de 40 milhões de clientes nesse novo ambiente entre outubro e novembro de 2026.
Bia e mobile banking no centro da estratégia
A nova plataforma de mobile banking do Bradesco promete ser mais conversacional e integrada à Bia, a inteligência artificial do banco. O lançamento está previsto para o fim deste ano, e a meta é ambiciosa: chegar a aproximadamente 40 milhões de clientes entre outubro e novembro. Em agosto de 2026, a Bia já respondia a cerca de 90% dos pedidos feitos no chat online, o que demonstra a maturidade da ferramenta.
Essa evolução digital é parte essencial da estratégia de crescimento sem “voo de galinha”. Em vez de expandir a carteira de crédito de forma agressiva, o Bradesco investe em canais mais eficientes e de menor custo, que melhoram a experiência do cliente e reduzem despesas operacionais. A integração da Bia ao novo aplicativo deve aumentar a capacidade de autoatendimento e liberar as agências para negócios mais complexos.
O CFO não detalhou os investimentos previstos para essa transformação, mas o aporte de capital certamente dá suporte a essas iniciativas. A conclusão do aumento de capital até o fim do mês coincide com a fase final de desenvolvimento da plataforma, o que sugere um alinhamento entre os recursos e as prioridades estratégicas do banco.
O que esperar do Bradesco nos próximos meses
Com o reforço de capital e os resultados sólidos do 2T26, o Bradesco se posiciona para um crescimento gradual e sustentável. A diretoria evita promessas de aceleração, mas os indicadores mostram que o banco está no caminho certo. O ROE de 16% e o lucro em alta de 16,2% são evidências de que a estratégia tem funcionado.
O lançamento da nova plataforma mobile, previsto para o fim do ano, deve ser o próximo grande marco. Se a meta de 40 milhões de clientes for atingida, o banco dará um salto relevante em digitalização, reduzindo custos e aumentando a satisfação. A Bia, que já responde a 90% dos pedidos no chat, será peça central nesse processo.
Enquanto isso, o mercado observa a conclusão do aumento de capital e os próximos passos da gestão. A frase de Scarpelli resume a filosofia: crescer, sim, mas sem euforia. Para o investidor, a mensagem é de previsibilidade e foco no longo prazo, com a solidez de um banco que aprendeu com os ciclos anteriores.
Fonte
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