A Visa, gigante de infraestrutura de pagamentos, planeja intensificar investimentos em stablecoins e inteligência artificial (IA) para oferecer essas ferramentas a instituições financeiras. A informação foi divulgada por Rodrigo Cury, CEO da Visa no Brasil. Ele destacou a busca por maior integração entre sistemas tradicionais e novas tecnologias, aproveitando a posição da Visa como parceira de grandes bancos.
Stablecoins como ponte para novos serviços
Usuários de stablecoins não estão sujeitos ao controle de capitais do país, podem negociar 24 horas por dia, sem limites de horário comercial, e não pagam impostos em transações, inclusive internacionais. Essas vantagens tornam as stablecoins atrativas tanto para pessoas físicas quanto para instituições financeiras.
Em abril, a Visa internacional anunciou parceria com a WeFi, empresa especializada em orquestração entre finanças descentralizadas e infraestruturas de pagamento regulamentadas. Antônia de Souza, diretora de moedas digitais da Visa para América Latina e Caribe, revelou que cada vez mais bancos procuram a Visa para saber como usar stablecoins no dia a dia. A procura indica um movimento crescente de adoção dessa tecnologia no setor financeiro tradicional.
Agentes de IA e pagamentos autônomos
No radar da Visa está o crescimento de pagamentos realizados por agentes de IA. Para compras recorrentes, o usuário nem precisaria dar um comando: o agente se anteciparia para adquirir o produto. Agentes de IA que gastam dinheiro de forma autônoma online são parte relevante da estratégia futura da Visa.
A Keyrock estimou que agentes de IA liquidaram mais de US$ 73 milhões entre maio de 2025 e abril de 2026. Há uma preferência entre esses agentes pelo uso de stablecoins como moeda de liquidação de transações de máquina a máquina, conforme reconhece Cury. Ele afirma que tudo o que é descentralizado e com menos camadas de segurança é mais fácil de usar, mas que para uma IA usar chave Pix ou credencial de cartão o desafio é maior.
Segurança como desafio central
O principal desafio, segundo Cury, é aproximar o comércio agêntico de um sistema com nível excepcionalmente alto de segurança. Ele afirma que o papel da Visa será trazer as camadas de segurança necessárias para viabilizar esse ecossistema financeiro do futuro, no qual IA transaciona com IA a serviço de seres humanos. Para Cury, a adoção de novas tecnologias, por mais eficientes que pareçam, pode trazer riscos sistêmicos.
Expansão além dos pagamentos
No segundo trimestre do ano fiscal de 2026, a área de Valor Adicionado de Serviços (VAS) da Visa respondeu por 30% da receita. Rodrigo Cury diz que um dos focos da Visa é continuar expandindo além de pagamentos para serviços de valor agregado, como risco, CRM, marketing, consultoria e análise de dados. A atenção a stablecoins e IA reflete o entendimento de que os modelos de negócio consolidados não são mais suficientes para sobreviver em um mundo de disrupção digital cada vez mais frequente.
