Pequenos mineradores podem definir eleição
O resultado da eleição presidencial peruana de domingo pode depender dos votos dos pequenos mineradores artesanais de ouro. Esses trabalhadores informais se beneficiam de regras mais flexíveis sob um programa administrativo criado em 2016, originalmente previsto para terminar em 2020. O programa, conhecido como Reinfo, expira em 31 de dezembro, e nenhum dos candidatos parece disposto ou capaz de desmontá-lo.
Uma análise da Reuters de dados do cadastro do Reinfo e de registros eleitorais mostra que os pequenos mineradores distribuíram apoio político entre diferentes grupos. No entanto, regiões mineradoras ajudaram a impulsionar o candidato Sánchez ao segundo turno. A mineração responde por quase 12% do PIB peruano, e o Peru é um dos maiores produtores mundiais de cobre, ouro e prata.
Reinfo: salvação econômica ou escudo de impunidade?
Defensores do Reinfo afirmam que ele representa uma tábua de salvação econômica para milhões de pessoas em regiões rurais pobres. Muitas regiões mineradoras carecem de infraestrutura básica e investimento público. Críticos argumentam que o Reinfo criou um escudo de impunidade para mineração ilegal e crime organizado, além de provocar extensos danos ambientais.
O programa, que já deveria ter terminado em 2020, foi prorrogado e agora expira em 31 de dezembro. Apesar das críticas, nenhum dos candidatos propõe seu fim. Sánchez, por exemplo, votou pela prorrogação do Reinfo quando era parlamentar e propôs redistribuir concessões ociosas para pequenos mineradores.
Concessões ociosas e apoio político
Magna Ismael Palomino, coordenador da Confemin, principal entidade representativa da mineração artesanal peruana, afirmou que pequenos mineradores e trabalhadores ligados à cadeia produtiva apoiam Sánchez. Palomino defende que concessões ociosas mantidas por grandes empresas sejam redistribuídas a mineradores artesanais e quer que o Reinfo seja prorrogado por pelo menos mais três anos.
No fim de 2025, quase 20 milhões de hectares estavam sob concessão minerária no Peru. Mais da metade das concessões pertencia a empresas médias e grandes. Apenas cerca de 10% das áreas concedidas estavam efetivamente sendo exploradas. Esse cenário alimenta a demanda por redistribuição e formalização dos pequenos mineradores.
Disputa acirrada no segundo turno
Com a eleição presidencial marcada para domingo, os candidatos buscam conquistar o voto dos mineradores artesanais. Sánchez já se beneficiou do apoio dessas regiões no primeiro turno. A indefinição sobre o futuro do Reinfo e a concentração de concessões ociosas são temas centrais na reta final da campanha.
Nenhum dos candidatos apresentou propostas claras para desmontar o Reinfo, indicando que o programa deve continuar independentemente do resultado. A decisão sobre a renovação ou não do Reinfo caberá ao novo Congresso, que também será eleito no domingo.
