A produtora brasileira de açúcar e etanol Raízen chegou a um acordo extrajudicial de reestruturação com a maioria de seus credores para renegociar sua dívida. A informação foi divulgada pela Bloomberg News nesta sexta-feira (5), citando fontes. A Raízen não respondeu de imediato a um pedido de comentário fora do horário comercial.
Acordo evita recuperação judicial
A aprovação evita que a empresa passe para uma recuperação judicial. A Raízen precisava obter a aprovação de uma maioria simples, de 50% mais um. Pessoas próximas às negociações afirmam que o vai e vem das negociações durou cerca de dois anos, muito antes de a Raízen solicitar a recuperação extrajudicial em março deste ano.
Negociações com acionistas
A ideia nunca teria sido entrar com um pedido de reestruturação do tipo, mas as dificuldades na definição do valor dos aportes de Cosan e Shell para sanar o endividamento da companhia fizeram com que a recuperação extrajudicial fosse uma opção a ser considerada. A Shell, a princípio, não gostaria de efetuar um aporte substancialmente maior do que a Cosan na operação da Raízen. Cosan e Shell sempre mantiveram participações semelhantes na distribuidora de combustíveis desde sua criação, em 2011.
Endividamento e investimentos
Executivos de usinas e entidades do setor sucroenergético apontam, reservadamente, que o endividamento elevado da Raízen se deu, sobretudo, à busca de novas tecnologias para o seu negócio, como a produção de etanol de segunda geração. O etanol de segunda geração é um combustível processado a partir de resíduos como palha, folhas e bagaço de cana, que permite a elevação da produtividade em até 50% sem aumentar o tamanho da área plantada, conforme a Raízen. Com o endividamento crescente, a Raízen, principal produtora de etanol de cana-de-açúcar no Brasil, teve de se desfazer de ativos, como uma quase centenária usina na região de Ribeirão Preto, mais tradicional polo do setor no país.
Presença global e diversificação
Em um recorte mundial, a Raízen está presente no Brasil, Argentina, Estados Unidos, França, Alemanha e Indonésia. Em 2019, a Raízen decidiu entrar no varejo. Por meio de uma parceria com o grupo mexicano Femsa, trouxe ao Brasil o mercado de proximidade Oxxo. A empreitada foi vista como uma distração por analistas, uma vez que não fazia parte da principal linha de atuação da empresa. A rede demandou um investimento de capital expressivo para a abertura de centenas de unidades no país, mas não teve o retorno esperado. A operação brasileira da Oxxo nunca atingiu o chamado ponto de equilíbrio, quando a operação começa a se pagar, e foi um fator agravante para a atual crise da Raízen.
