O BTG Pactual atualizou suas projeções para a economia brasileira em 2026, com destaque para a redução da estimativa do dólar. O banco agora prevê a moeda americana a R$ 4,90 ao fim do ano, ante R$ 5,20 da projeção anterior. A revisão reflete uma combinação de fatores externos e domésticos, incluindo o superávit comercial e a valorização do real.
Dólar mais baixo e superávit recorde
O Brasil é um exportador líquido de petróleo, o que contribui para o saldo comercial positivo. Segundo o BTG, o país é o único grande emergente com saldo comercial positivo quando se somam energia e fertilizantes. A produção de petróleo no Brasil bateu recorde histórico de 4,2 milhões de barris por dia em março de 2026. Como resultado, o real se valorizou 4,1% frente ao dólar desde o início do conflito. O banco projeta um superávit comercial de US$ 90 bilhões em 2026, o que sustenta a moeda brasileira.
Esses fatores ajudam a explicar a trajetória de queda do dólar, que já se reflete nas contas externas do país.
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Juros em queda gradual
A Selic atualmente está em 14,50%. A projeção do BTG é que a Selic terminal fique em 13%. O Copom deve continuar cortando a taxa básica em doses de 0,25 ponto percentual por reunião. Isso significa que, ao longo de 2026, a política monetária deve se tornar menos restritiva, alinhada à desaceleração da inflação esperada pelo banco.
O movimento de cortes, embora gradual, sinaliza confiança no controle inflacionário.
Inflação acima da meta
O BTG revisou a projeção do IPCA de 4,7% para 4,9% em 2026. A meta de inflação para 2026 é de 3%, portanto a estimativa do banco indica um desvio significativo. Para 2027, a estimativa do IPCA é de 4,2%. O balanço de riscos para a inflação no Brasil está assimétrico, ou seja, há mais chances de surpresas altistas do que baixistas.
Entre os fatores que pressionam os preços, estão os combustíveis. A gasolina e o diesel estão defasados em cerca de 45% em relação ao preço internacional. O governo sinalizou que pretende compensar parte do reajuste com redução de impostos federais sobre combustíveis, o que pode mitigar o impacto inflacionário.
Crescimento econômico e emprego
O BTG revisou para cima a projeção de crescimento do PIB para 1,9%. A taxa de desemprego bateu 5,35% em fevereiro, e os salários reais estão crescendo. Esse cenário favorável no mercado de trabalho, porém, é acompanhado por estímulos fiscais: o governo despeja estímulos na economia que somam cerca de R$ 140 bilhões em impulso sobre a demanda em 2026.
Apesar dos indicadores positivos, há sinais de alerta. Os dados de março mostraram queda nas concessões e aceleração da inadimplência, o que pode indicar um arrefecimento do consumo nos próximos meses.
Em resumo, as projeções do BTG para 2026 apontam para um cenário de câmbio mais favorável, juros em queda gradual, inflação ainda acima da meta e crescimento moderado, com riscos assimétricos para a inflação.
Fonte
- www.seudinheiro.com
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