A fundadora da Kalshi, plataforma de mercados preditivos, busca se desvencilhar da associação com apostas esportivas e cassinos. Em entrevista durante o Web Summit Rio 2026, a bilionária Lara afirmou que o modelo de negócios da empresa é fundamentalmente diferente. “Não ganhamos dinheiro quando o usuário perde”, disse, defendendo que a comparação mais adequada é com outros instrumentos financeiros.
Diferença entre mercados preditivos e bets
Lara quis se desvencilhar da ideia de que seu serviço esteja no “mesmo balaio” do que as bets ou os cassinos. Para ela, o cerne da questão está em como a Kalshi e companhia ganham dinheiro. A executiva argumenta que os mercados preditivos se aproximam mais de instrumentos financeiros do que de jogos de azar. Os contratos negociados refletem expectativas sobre eventos futuros e podem, inclusive, servir como mecanismos de proteção para empresas e investidores.
Segundo Lara, a comparação mais adequada não seria com cassinos ou bets, mas com outras modalidades de negociação de varejo. Ela argumenta que atividades como day trade, operações com futuros e investimentos em criptomoedas apresentam taxas de perdas ainda maiores. “É óbvio que as pessoas perdem dinheiro na Kalshi. Há risco em todo lugar”, afirmou.
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Resistência cultural e regulatória no Brasil
Esse mercado ainda enfrenta grande resistência fora dos EUA, em especial no Brasil. Há cerca de dois meses, o governo federal proibiu esse tipo de operação, bloqueando a Kalshi e diversas outras plataformas que oferecem o serviço em território nacional. Lara avalia que a maior barreira para a expansão dos mercados preditivos não é regulatória, mas cultural. Segundo ela, ainda existe uma percepção equivocada sobre plataformas como a Kalshi e é necessário educar as autoridades e população sobre as diferenças.
“Da mesma forma que no Brasil você pode negociar futuros do S&P, você deveria poder fazer isso com a Kalshi também. É apenas uma questão de educação”, disse Lara. Na visão da executiva, o principal desafio do setor é superar a percepção de que mercados preditivos são apenas uma nova forma de aposta.
Expansão e potencial de mercado
A bilionária também destacou que a expansão da Kalshi vem encontrando resistência tanto de operadores de apostas quanto de participantes tradicionais do mercado financeiro. Apesar disso, Lara acredita que os mercados preditivos podem se tornar uma categoria maior do que o próprio mercado acionário. A justificativa é que os eventos negociados nesses mercados fazem parte do cotidiano das pessoas. “Quando você está à mesa de jantar, fala sobre eleições, pandemias e esportes. Você não fala sobre a ação da Meta ou sobre data centers. É muito mais intuitivo para as pessoas”, afirmou.
Para a executiva, a adoção em massa dos mercados preditivos não depende mais de uma mudança tecnológica, mas de tempo, educação financeira e aceitação regulatória. Lara disse: “No final das contas, vencemos porque estávamos certos na lei. Depois de tantos anos enfrentando batalhas judiciais, ficamos um pouco imunes às oscilações de uma vitória aqui ou uma derrota ali. Estamos muito confortáveis com nossa posição”.
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