O Bank of America (BofA) afirmou que o mercado continua subestimando a disposição do banco central norte-americano em elevar os juros. A declaração foi feita em relatório divulgado recentemente, no qual o banco destaca a necessidade de os investidores se prepararem para a possibilidade de a taxa ultrapassar os 5% ao ano nos Estados Unidos. A informação é relevante para quem tem aplicações financeiras, pois os juros americanos influenciam os mercados globais, incluindo o Brasil.
Fed já elevou juros para 4%
Em 16 de novembro de 2026, o Federal Reserve (Fed) elevou a taxa em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano. Esse foi mais um passo no ciclo de aperto monetário iniciado para conter a inflação. Com a decisão, os juros nos EUA atingiram o maior patamar em anos, mas o BofA acredita que ainda há espaço para novas altas.
Em 18 de novembro de 2026, o mercado futuro projetava um teto para o ciclo de altas entre 4,50% e 4,75%, segundo dados da CME Group. No entanto, a equipe do BofA argumenta que os juros podem buscar novamente os patamares máximos do ciclo anterior, atingindo até 5,50%. Essa visão é mais agressiva do que a precificação atual do mercado.
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Regra de Taylor sugere 5,3%
Um dos argumentos usados pelo BofA é a Regra de Taylor, uma fórmula econômica que relaciona a taxa de juros ideal com a inflação e o nível de atividade. Segundo o banco, essa regra aponta que os juros norte-americanos deveriam estar em cerca de 5,3%. Isso indica que, mesmo após as altas recentes, a política monetária ainda estaria abaixo do necessário para controlar a inflação, na visão do modelo.
Além disso, os estrategistas do BofA afirmam que o yield dos Treasurys de dois anos deve subir para 5% neste ano. Na sexta-feira (18), o yield dos papéis de dois anos encostou em 4,75%. Os títulos do Tesouro norte-americano são considerados os ativos mais seguros do mundo, e seus rendimentos servem de referência para diversas aplicações.
Visão interna diverge sobre altas
Dentro do próprio BofA, há divergências. O economista-chefe do banco para os EUA, Aditya Bhave, prevê apenas mais uma alta de juros de 0,25 ponto percentual em dezembro de 2026. Ele também prevê a manutenção da taxa estável em 2027. Essa projeção contrasta com a possibilidade de juros acima de 5% levantada pelos estrategistas.
A divergência mostra que o cenário é incerto e que os investidores devem considerar diferentes trajetórias para a taxa de juros americana. A fonte não detalhou os motivos da diferença entre as projeções internas.
Efeitos na carteira do investidor
Se os juros nos EUA subirem para 5% ou mais, os impactos podem ser sentidos em várias classes de ativos. Os Treasurys, por serem considerados os ativos mais seguros do mundo, passariam a oferecer rendimentos ainda mais atrativos, o que poderia atrair capital de outros mercados, como o brasileiro. Isso poderia pressionar o câmbio e os preços dos ativos locais.
No Brasil, a Selic está atualmente em 10,50% ao ano, após cortes recentes do Copom. No entanto, um aumento dos juros americanos tende a fortalecer o dólar e pode reduzir o apetite por risco em mercados emergentes. Investidores com posições em bolsa ou em títulos prefixados devem monitorar esse cenário.
Por outro lado, aplicações atreladas ao dólar ou a juros internacionais podem se beneficiar. Para mitigar riscos, considere alocar parte da carteira em ativos atrelados ao dólar, como fundos cambiais ou BDRs, e reduza exposição a títulos prefixados longos.
Fonte
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