Ibovespa atinge recorde nominal e acumula alta de 8,82% na semana
O Ibovespa encerrou a última sessão aos 209.066,90 pontos, em novo recorde nominal histórico, e acumulou alta de 8,82% na semana — a maior desde março de 2020. O desempenho foi impulsionado pela reação do mercado ao resultado do primeiro turno das eleições, no qual Flávio Bolsonaro (PL) superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e abriu vantagem de 2,2 milhões de votos.
A leitura predominante entre investidores foi de que o cenário político pode favorecer uma agenda econômica mais liberal, o que se refletiu em forte movimento de compra de ações.
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Dólar recua 0,44% e juros futuros derretem
O dólar à vista encerrou a semana cotado a R$ 4,9851, com queda acumulada de 0,44%. A moeda americana perdeu força diante do real em meio ao apetite por ativos brasileiros e à expectativa de manutenção dos juros nos Estados Unidos.
A ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava cerca de 82,3% de chance de o Federal Reserve (Fed) manter os juros na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano na próxima decisão, em outubro. Para dezembro, a probabilidade de alta de pelo menos 25 pontos-base nos juros era superior a 80%, segundo a mesma ferramenta.
Inflação e expectativa para a Selic
No cenário doméstico, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,82% em setembro, após um recuo de 0,32% no mês anterior. No acumulado dos 12 meses, a inflação subiu 4,58%. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Apesar do IPCA acima do centro da meta, o mercado passou a precificar cortes na taxa Selic, refletindo a expectativa de desaceleração da atividade e o alívio no câmbio.
A curva de juros futuros derreteu mais de 100 pontos-base nos vértices médios e longos apenas na última segunda-feira, e os vencimentos longos saíram de perto de 14% para a casa dos 12%. O mercado passou a precificar mais de 90% de chance de cortes de 0,25 ponto percentual na Selic em novembro e dezembro, com a taxa terminal de 2027 projetada abaixo de 12%. Esse movimento derrubou os rendimentos dos títulos públicos e impulsionou as ações de empresas sensíveis à taxa de juros, como varejistas e construtoras.
Contexto internacional alivia tensões
No campo internacional, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o país não atacará o Irã antes das eleições de meio mandato do próximo mês. O presidente também anunciou que a Rússia deve fornecer diesel tanto para os mercados dos EUA quanto para os mercados globais, na tentativa de conter a disparada dos preços. Ao todo, serão cerca de 4,8 milhões de toneladas do combustível. As declarações aliviaram as tensões geopolíticas e contribuíram para a queda do dólar e a alta das bolsas.
Destaques negativos: Embraer e Vale
Entre os destaques negativos do Ibovespa, a ponta foi liderada por Embraer (EMBJ3), pressionada pelo recuo de mais de 4% do dólar na semana. A empresa, que tem receitas relevantes em moeda estrangeira, sofre com a valorização do real.
A Vale (VALE3) foi a única blue chip a registrar queda no período, refletindo a fraqueza do minério de ferro no mercado internacional. A queda da Vale refletiu a fraqueza do minério de ferro no mercado internacional, pressionado pela desaceleração da demanda chinesa.
Rotação de carteiras e expectativas
O desempenho do Ibovespa na semana foi marcado por forte rotação de carteiras, com investidores migrando de ativos defensivos para cíclicos. A alta de 8,82% superou com folga a média histórica semanal e recolocou o índice em patamares recordes. O volume financeiro médio diário na B3 foi de R$ 35,2 bilhões, 18% acima da média de 30 dias. Para o investidor, o cenário sugere manter posições em ações cíclicas, mas com atenção à ata do Copom, que pode sinalizar o ritmo dos cortes de juros.
Fonte
- www.seudinheiro.com
- Flávio Bolsonaro (www.moneytimes.com.br)
- Luiz Inácio Lula da Silva (www.moneytimes.com.br)
- JPMorgan (www.moneytimes.com.br)
- Lula (www.moneytimes.com.br)
- IPCA (www.moneytimes.com.br)
