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Analista vê chance de vitória já no primeiro turno


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Analista vê chance de vitória já no primeiro turno
Crédito: www.seudinheiro.com

Na última sexta-feira (24), a XP Expert reuniu especialistas para discutir o cenário eleitoral de 2026, com destaque para a possibilidade de o pleito presidencial ser decidido em primeiro turno. Além disso, analistas presentes apontaram que, embora as abstenções possam pesar contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), existem elementos que podem pavimentar o caminho para uma vitória antecipada.

Cenário sem concorrentes na esquerda

Unificação da esquerda

A análise apresentada na XP Expert destacou que o presidente Lula entra na corrida de 2026 sem adversários no campo da esquerda. Contudo, nas eleições passadas, os votos desse espectro foram pulverizados entre nomes como Ciro Gomes e Simone Tebet, o que forçou o PT a negociar apoios e a disputar um eleitorado mais amplo.

Agora, a fonte não detalhou quais seriam os eventuais concorrentes, mas a percepção é de que a esquerda está unificada em torno da candidatura petista — um trunfo que pode aliviar a pressão sobre a campanha e permitir foco total na conquista de votos ao centro.

Resistência do eleitorado

Apesar desse cenário favorável, a mesma avaliação ressaltou que Lula enfrenta maior resistência do eleitorado neste momento. Além disso, foi afirmado que há mais brasileiros que pensam que o presidente não merece um novo mandato, o que eleva o sarrafo para a recondução.

Felipe Nunes, CEO da Quaest, endossou essa visão ao afirmar que Lula está longe de ter hoje a vantagem que experimentou sobre Jair Bolsonaro na disputa de 2022. Assim sendo, esse contraste entre a unidade na esquerda e a desconfiança de uma parcela da população sintetiza o principal dilema do petista: capitalizar a coesão sem subestimar as resistências.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

O peso da abstenção eleitoral

Perfil do eleitor que se abstém

Felipe Nunes, em sua participação no evento, abordou o constante crescimento da abstenção no Brasil ao longo dos últimos pleitos. Além disso, ele afirmou que esse movimento já foi determinante em disputas anteriores e deve voltar a pesar na corrida eleitoral de 2026.

Dados mencionados pelo CEO da Quaest apontaram que as abstenções são mais recorrentes entre o eleitorado do petista, e que os eleitores de Lula costumam apresentar menor índice de participação nas eleições. Além disso, tanto a base de apoio do presidente quanto a de Flávio enfrentam baixos sinais de engajamento, o que acende um alerta para as campanhas.

Mobilização como diferencial

Para Antônio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe, a abstenção se configura como o principal obstáculo para Lula. Dessa forma, durante painel na XP Expert, o cientista político defendeu que o candidato com eleitorado mais entusiasmado será o vencedor, sugerindo que a mobilização será tão importante quanto a intenção de voto.

Isto é, de nada adianta aparecer bem nas pesquisas se os apoiadores não comparecerem às urnas. Portanto, esse é o desafio central: reverter a apatia e transformar simpatia em voto efetivo, especialmente nas faixas de renda mais baixa, onde a participação costuma ser menor.

Indecisão e o papel do debate

Votos indecisos como oportunidade

Outro ponto levantado por Felipe Nunes é que a oscilação negativa de Flávio nas pesquisas não está gerando aumento nas intenções de votos no atual presidente. Contudo, em vez de migrar para Lula, os eleitores descontentes com Flávio parecem ter migrado para a faixa da indecisão.

Nunes afirmou que há mais indecisão, o que pode alimentar a campanha do Lula, desde que o petista consiga capturar esses votos com uma comunicação eficaz. Portanto, o debate eleitoral, segundo ele, será essencial para analisar o cenário e entender os movimentos desse eleitorado flutuante.

Perspectiva de definição no primeiro turno

Dessa forma, a perspectiva de Nunes introduz um elemento de otimismo para os correligionários do Planalto: se a indecisão for um estoque de votos disponível, uma performance consistente nos debates poderia consolidar uma vantagem e acelerar a definição no primeiro turno.

No entanto, a mesma análise indica que a disputa está longe de ser uma via de mão única; o êxito dependerá da capacidade de Lula de se conectar com um público que, até agora, não se convenceu de que ele merece mais quatro anos de mandato.

Mercado ainda não precificou a possibilidade

A analista Schulman, que também participou da XP Expert, trouxe um dado relevante para o universo financeiro: o mercado ainda não colocou essa possibilidade na conta. Ou seja, referindo-se à chance de uma vitória em primeiro turno, Schulman indicou que os investidores estão subestimando esse desfecho.

A fonte não detalhou quais ativos seriam mais afetados, mas é sabido que cenários políticos abruptamente definidos costumam causar reprecificações em bolsa, juros e câmbio. Portanto, a fala serve como um alerta para que os agentes econômicos considerem não apenas um segundo turno prolongado, mas também uma definição precoce que poderia alterar o curso das expectativas para a política econômica.

Entusiasmo: a chave do vencedor

Antônio Lavareda reforçou um conceito caro aos estrategistas: o entusiasmo do eleitorado é fundamental. Por exemplo, em eleições marcadas por alta abstenção, como as brasileiras recentes, a diferença entre ganhar e perder pode estar na capacidade de empolgar e levar o eleitor até a urna.

Os eleitores de Lula, historicamente menos propensos a votar, precisarão de estímulos concretos — seja pela identificação com a pauta, seja pelo medo de um retrocesso — para sair de casa no dia da votação. Dessa forma, o caminho para uma vitória em primeiro turno, embora repleto de obstáculos, não está fechado.

Em resumo, como bem sintetizou Lavareda, o candidato que conseguir despertar maior paixão em sua base terá vantagem decisiva, e é exatamente esse o terreno que a campanha petista precisará conquistar nos próximos meses.

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