Pelicanos famintos no litoral peruano
Centenas de pelicanos famintos têm sido avistados no litoral do Peru, um sinal preocupante para os especialistas. Segundo eles, comportamentos assim são típicos de eventos do El Niño mais intensos. Embora alguns animais consigam alimento oferecido por pescadores e comerciantes, muitos acabam morrendo de desnutrição. A situação acendeu um alerta entre meteorologistas e autoridades.
Previsão de El Niño forte ou superforte
Meteorologistas alertam que o Peru poderá enfrentar um episódio de El Niño forte ou até “superforte” neste ano. O fenômeno aumenta o risco de secas, enchentes e ondas de calor, com impactos diretos sobre diferentes setores da economia. Dados da agência peruana de monitoramento do El Niño (ENFEN) mostram que a temperatura da superfície do mar está entre 2°C e 5°C acima da média. Esse aquecimento anômalo já está afetando a vida marinha.
Impactos na pesca e na agricultura
Espécies comerciais de maior valor econômico migraram para regiões mais profundas, reduzindo significativamente a produtividade da pesca. A atividade industrial ligada ao setor pesqueiro recuou 31% nos cinco primeiros meses do ano. Na agricultura, o crescimento foi de apenas 0,4%, também afetada pelas temperaturas mais elevadas. O Peru é o terceiro maior produtor mundial de cobre e um dos principais exportadores de farinha de peixe e de produtos agrícolas, como mirtilos. Em 2025, as exportações agrícolas alcançaram um recorde de US$ 15,1 bilhões, mas as perspectivas para a nova safra pioraram com o avanço do El Niño.
Produtores alertam para perdas bilionárias
Produtores alertam que as perspectivas para a nova safra pioraram com o avanço do El Niño. A Associação dos Produtores Agrícolas do Peru (AGAP) estima que o fenômeno poderá reduzir em cerca de US$ 1 bilhão a receita adicional com exportações esperada para este ano. Para Gabriel Amaro, representante da entidade, o país enfrenta um dos episódios climáticos mais severos das últimas décadas. Segundo ele, caso as previsões se confirmem, este poderá ser o pior El Niño registrado no Peru em cerca de 50 anos.
O cenário preocupa não apenas pela dimensão dos impactos imediatos, mas também pelas consequências de longo prazo para a economia peruana, fortemente dependente de recursos naturais. Enquanto isso, os pelicanos continuam a aparecer nas praias, um lembrete vivo de que o clima está mudando rapidamente.
Fonte
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