No mercado corporativo de alto padrão, a capital argentina tornou-se um caso raro: montar um escritório pode custar mais do que estar no coração da tecnologia americana. Enquanto São Francisco registra custo de 5.720 dólares por metro quadrado, a Argentina apresenta valores ainda mais altos, segundo ranking mundial. A diferença surpreende e revela os desafios estruturais do país.
Pressão além das importações
Na Argentina, a pressão não vem apenas de restrições à importação. Ela combina carga tributária elevada, custos da cadeia de suprimentos e descompasso entre inflação e taxa de câmbio. Isso restringe a renovação do estoque e torna mais disputados os poucos edifícios capazes de atender empresas globais com padrão Triple A. O resultado é um mercado com oferta limitada e preços elevados.
São Paulo: sofisticação como motor
Em São Paulo, a pressão é de outra natureza. A alta nos custos está mais ligada à sofisticação dos projetos e à demanda por escritórios tecnologicamente preparados, com infraestrutura para reuniões híbridas, automação predial, inteligência artificial, áreas colaborativas e bem-estar. A capital paulista tem vacância próxima de 16%, ou cerca de 11% nos ativos AAA, e acumula mais de 11 meses de absorção líquida positiva. É um mercado mais profundo, com cadeia de fornecedores mais madura e maior escala de projetos.
Perspectivas para a Argentina
A questão é se a Argentina conseguirá reduzir parte desse custo com a estabilização macroeconômica. À medida que a inflação recue e o câmbio fique mais previsível, a expectativa é que os contratos de implantação também se tornem menos pressionados. Por ora, a conta segue alta.
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