A menos de uma semana da Copa do Mundo de 2026, cientistas alertam que o calor extremo e a alta umidade em parte das cidades-sede dos Estados Unidos podem representar um risco real à saúde durante o torneio. A análise do jornal britânico utiliza dados climáticos de 1975 a 2025 e projeções do grupo científico World Weather Attribution. O risco não está apenas na temperatura elevada, mas na combinação com a umidade.
Risco crescente em cidades-sede
Cientistas alertam para um risco crescente de calor extremo e alta umidade em cidades-sede dos Estados Unidos durante os meses de junho e julho. Houston registrou WBGT acima de 30°C em quase três quartos dos dias de junho e julho na última década. Dallas superou esse nível em cerca de metade desses dias. Miami e Atlanta fizeram o mesmo em aproximadamente um quarto deles.
Em Houston, a probabilidade de superar o limiar de 26°C de WBGT durante os jogos dobrou em relação à Copa de 1994, passando de 51% para quase 100%. Para todo o torneio, há uma chance de uma em quatro de que o WBGT atinja 30°C em pelo menos uma partida.
Impacto sobre jogos e torcedores
Cerca de 26 jogos, o equivalente a um quarto do total, devem ocorrer sob condições iguais ou superiores a 26°C de WBGT. Nove dessas partidas serão disputadas em estádios sem ar-condicionado. Os pesquisadores afirmam que os impactos não se restringem aos atletas. Todas as cidades-sede terão áreas de convivência e festivais ao ar livre, expondo torcedores ao calor durante longos períodos.
Segundo o Financial Times, cada aumento de 1°C na temperatura global permite que a atmosfera retenha cerca de 7% mais umidade. Em um experimento conduzido pela Universidade de Portsmouth, um jornalista caminhou durante 30 minutos em uma esteira a 35°C. Com 30% de umidade, sua frequência cardíaca aumentou levemente e se estabilizou. Com 80% de umidade, continuou subindo, acompanhada de suor intenso e falta de ar.
Experiência recente e medidas
Na Copa do Mundo de Clubes realizada nos Estados Unidos em 2025, tempestades provocaram seis atrasos em partidas e jogadores relataram desconforto provocado pelo calor. O argentino Enzo Fernández afirmou ter sentido tontura durante uma partida do Chelsea em Nova Jersey. A Fifa alterou horários de partidas para evitar os períodos mais quentes do dia e implementou pausas obrigatórias para hidratação. Três estádios — Houston, Dallas e Atlanta — contam com sistemas de ar-condicionado. Outros dois possuem cobertura.
Fonte
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