Apenas 22% dos brasileiros de 25 a 64 anos possuem ensino superior, menos da metade da média da OCDE (43%). De acordo com o relatório Education at a Glance 2026, divulgado em 29/09/2026, apenas 22% dos brasileiros de 25 a 64 anos possuíam ensino superior em 2024. O número representa menos da metade da média dos países membros da OCDE, que ficou em 43% no mesmo período.
Os dados acendem um alerta para os desafios educacionais do país. A diferença de 21 pontos percentuais evidencia um gargalo histórico no acesso e na permanência no ensino superior, reflexo de deficiências acumuladas ao longo da trajetória escolar. Especialistas apontam que a baixa proporção de graduados impacta diretamente a produtividade e a competitividade da economia brasileira.
Brasil fica atrás no ranking educacional
O relatório Education at a Glance é uma das principais referências globais sobre educação. A edição de 2026 reúne indicadores de todos os países membros da OCDE e de nações parceiras, como o Brasil. No recorte de adultos de 25 a 64 anos com ensino superior, o Brasil ocupa uma posição modesta, bem abaixo da média do bloco.
Enquanto 43% dos adultos nos países da OCDE concluíram uma graduação, o Brasil registra 22%. A diferença é ainda mais expressiva quando comparada a nações como Canadá, Japão e Coreia do Sul, onde mais da metade da população adulta possui diploma universitário. A fonte não detalhou a posição exata do Brasil no ranking, mas os números indicam um distanciamento considerável.
Especialistas apontam que a baixa proporção de graduados está associada a fatores como a qualidade da educação básica e a evasão escolar, mas o relatório não detalha essas causas. Além disso, fatores socioeconômicos limitam o acesso de jovens de baixa renda às universidades, perpetuando um ciclo de desigualdade.
Ensino fundamental encolhe e preocupa
O relatório também traz dados sobre a educação básica que ajudam a explicar o baixo índice de graduados. Entre 2015 e 2024, as matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental caíram 7% no Brasil. A redução no número de alunos é um sinal de alerta, pois indica menos crianças ingressando e permanecendo na escola.
Paralelamente, o número de professores dos anos iniciais do ensino fundamental aumentou 4% no mesmo período. Apesar da redução de alunos e do aumento de professores, o relatório não apresenta dados sobre o impacto na aprendizagem.
A queda nas matrículas pode estar associada a fatores demográficos, como a redução da taxa de natalidade, mas também a problemas de evasão e repetência. A transição para os anos finais do ensino fundamental é um momento crítico, e muitos estudantes abandonam os estudos antes de concluir essa etapa.
Transição escolar ainda tem lacunas
Um dado que chama a atenção é a taxa de matrícula um ano após a conclusão da última série do ensino fundamental. Segundo o relatório, 87% dos estudantes brasileiros estavam matriculados no ensino… O relatório não detalha o complemento da informação, mas o percentual de 87% indica que a maioria dos concluintes do ensino fundamental segue para o ensino médio.
Apesar da lacuna, o percentual de 87% sugere que a grande maioria dos concluintes do ensino fundamental segue para a etapa seguinte, provavelmente o ensino médio. No entanto, os 13% restantes representam milhares de jovens que ficam fora da escola, comprometendo suas chances de chegar ao ensino superior.
Esse gargalo na transição entre etapas é um dos pontos críticos do sistema educacional brasileiro. A falta de políticas de acompanhamento e apoio aos estudantes em risco de evasão contribui para a perda de capital humano e reforça as estatísticas desfavoráveis do país.
O que os números significam para você
Para o cidadão comum, os dados do Education at a Glance 2026 têm implicações diretas. A baixa proporção de adultos com ensino superior afeta o mercado de trabalho, os salários e a mobilidade social. Profissionais com diploma tendem a ganhar mais, mas a baixa proporção de graduados pode limitar a produtividade e o crescimento econômico, afetando os salários de forma geral.
Além disso, a queda nas matrículas do ensino fundamental pode gerar uma escassez futura de mão de obra qualificada. A queda nas matrículas pode reduzir o número de futuros candidatos ao ensino superior, mas outros fatores, como políticas de acesso e permanência, também influenciam. Esse ciclo vicioso compromete o desenvolvimento econômico e social do país nas próximas décadas.
Investir em educação básica de qualidade, ampliar o acesso ao ensino superior e reduzir a evasão escolar são medidas urgentes para reverter esse quadro. Enquanto isso, o Brasil segue observando de longe os padrões educacionais dos países mais desenvolvidos.

