O BTG Pactual divulgou um relatório em 5 de outubro de 2026 apontando que ações de empresas como Grupo Mateus (GMAT3), Vulcabras (VULC3) e outras podem ganhar fôlego na bolsa se o ânimo nos mercados em relação à eleição continuar. O documento analisa o cenário para papéis com grande volume de posições vendidas e identifica oportunidades em setores sensíveis à economia brasileira.
A avaliação ocorre após o primeiro turno das eleições, que, segundo o banco, abriu espaço para os investidores reavaliarem os cenários para as contas públicas, os juros e o crescimento.
Por que tantas apostas contra essas ações?
O pessimismo sobre os rumos da economia do país é um dos motivos que explicam o grande volume de investidores apostando na queda dos papéis do Grupo Mateus. Essa postura reflete preocupações com o ambiente macroeconômico, que permanece desafiador. O BTG ressalta que os juros permanecem elevados, as famílias estão endividadas, a inflação acumulada corroeu o poder de compra e a concessão de crédito segue cautelosa. Além disso, a concorrência está mais intensa em vários segmentos do varejo. Esses fatores contribuem para a visão negativa sobre algumas empresas do setor.
No entanto, o relatório destaca que o resultado do primeiro turno abriu espaço para os investidores reavaliarem os cenários para as contas públicas, os juros e o crescimento. Essa reavaliação pode mudar o humor do mercado e reduzir a pressão sobre as ações mais castigadas. Ainda assim, o banco mantém cautela, pois a incerteza macroeconômica persiste. A transição para um cenário mais favorável dependerá de sinais concretos de melhora.
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Grupo Mateus lidera indicador de posições vendidas
O Grupo Mateus lidera os destaques do relatório pelo indicador days to cover. Esse indicador estima quantos dias seriam necessários para recomprar todas as posições vendidas caso todo o volume médio diário fosse destinado a isso. Em outras palavras, mede a pressão de curto prazo sobre a ação. Quanto maior o número, mais tempo levaria para desfazer as apostas contra o papel.
O BTG não detalhou o valor exato do indicador para o Grupo Mateus, mas o coloca como destaque, com um days to cover estimado em X dias, segundo o relatório.
Além do Grupo Mateus, outras empresas aparecem com destaque pelo tamanho das apostas na queda em relação ao volume negociado. Smart Fit (SMFT3), Vulcabras (VULC3), Track&Field (TFCO4) e Vivara (VIVA3) se destacam nesse critério. Essas companhias têm uma proporção relevante de posições vendidas, o que pode gerar movimentos bruscos se houver mudança de expectativa. O relatório sugere que uma melhora no sentimento poderia desencadear recompras e impulsionar os preços, mas não quantifica o potencial de alta.
Oportunidades em varejistas sensíveis à economia
O BTG identifica uma oportunidade nas empresas mais sensíveis às condições da economia brasileira, incluindo Assaí (ASAI3), Magazine Luiza (MGLU3), C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3). Essas ações tendem a se beneficiar de qualquer sinal de recuperação do consumo e da atividade. O banco compara os múltiplos atuais com a mediana das ações cobertas, que era de aproximadamente 8 vezes o lucro estimado para 2027. A C&A é negociada a 5,1 vezes o lucro estimado para 2027, enquanto a Lojas Renner está em 6,7 vezes o lucro estimado para 2027.
Esses descontos podem representar uma porta de entrada para investidores.
No entanto, o banco não recomenda exposição indiscriminada a essas empresas. A estratégia preferida do banco para enfrentar a persistente incerteza macroeconômica está em empresas com motores próprios de expansão, como Raia Drogasil, Smart Fit e Panvel. Essas companhias têm capacidade de crescer independentemente do cenário macro, o que reduz o risco. A Smart Fit chama a atenção pelo indicador de posições vendidas e integra o grupo preferido pelo BTG por suas perspectivas estruturais.
Assim, o banco combina uma visão tática para varejistas cíclicas com uma preferência estrutural por negócios resilientes.
O que esperar daqui para frente
O relatório do BTG Pactual é de 5 de outubro de 2026 e reflete o cenário pós-primeiro turno. A mensagem central é que a economia nem precisa melhorar tanto para essas ações decolarem, desde que o ânimo dos mercados em relação à eleição continue, o que pode reduzir o pessimismo e aliviar a pressão vendedora. A simples redução do pessimismo pode aliviar a pressão vendedora e destravar valor. Contudo, o banco alerta que os fundamentos macroeconômicos ainda são frágeis, com juros altos, endividamento das famílias e crédito restrito.
A concorrência acirrada no varejo também é um risco a monitorar.
Para os investidores, o momento exige atenção aos sinais políticos e econômicos. As ações com alto days to cover, como Grupo Mateus, podem ter movimentos amplificados em qualquer direção. A recomendação do BTG é seletiva: apostar em empresas com desconto significativo em relação aos pares, mas sem ignorar a qualidade do negócio, como margens estáveis e baixo endividamento. O desfecho das eleições e as políticas econômicas do novo governo, como a trajetória da dívida pública e a política de juros, serão cruciais para confirmar ou reverter as expectativas atuais.
Fonte
- www.seudinheiro.com
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