Alta do tomate lidera pressão nos alimentos
O preço do tomate disparou 37,76% em setembro, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE. Foi a alta mais expressiva entre os itens alimentícios e reflete um desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno. O movimento ocorre em um mês marcado por aumentos generalizados nos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo instituto.
O resultado do IPCA de setembro foi influenciado principalmente por três grupos: Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas. Juntos, eles contribuíram com 0,71 ponto percentual para o índice do mês. Dentro de Alimentação e bebidas, o tomate foi o vilão, mas não o único:
- Batata-inglesa: +24,07%
- Cebola: +10,14%
- Arroz: +4,56%
- Carnes: +0,63%
Essa pressão disseminada sobre os alimentos indica que o problema vai além de um produto isolado.
O que explica a disparada no campo
No campo, os números explicam a escalada. O preço médio pago ao produtor paulista passou de R$ 2,66 por quilo em agosto para R$ 4,30 em setembro, uma valorização de 61,4% no mês. Na comparação com setembro de 2025, o aumento chega a 93,5%. Esses dados mostram que a alta no varejo é reflexo direto do que acontece na origem, com os produtores recebendo quase o dobro pelo quilo do fruto.
As condições climáticas tiveram papel central nesse cenário. No Rio de Janeiro, as chuvas de 150 mm no fim de setembro reduziram a oferta em 20%, segundo a Ceasa-RJ. Além disso, a presença de frutos verdes e de menor calibre nos atacados mostra que o abastecimento ainda enfrenta limitações. Ou seja, mesmo com a demanda estável, a menor oferta de produto de qualidade pressiona os preços para cima.
Comportamento do mercado e perspectivas
Em São Paulo, outro fator começa a aparecer: a retração das negociações no atacado diante dos preços elevados indica que parte dos compradores já está reduzindo a demanda. Esse movimento pode aliviar a pressão sobre os preços no curto prazo, mas ainda é cedo para afirmar que haverá queda significativa. O comportamento dos compradores, no entanto, sinaliza que o mercado pode estar perto de um teto.
Para os próximos meses, a expectativa é de que os preços do tomate continuem elevados enquanto a oferta não se normalizar. Segundo o IBGE, a oferta deve se normalizar gradualmente, mas ainda não há projeção oficial de queda nos preços. O cenário de oferta restrita e demanda ainda resiliente mantém o alerta para a inflação de alimentos.
Impacto no bolso do consumidor
Com o tomate 37,76% mais caro, a cesta básica fica mais pesada, especialmente para famílias de menor renda. Com o tomate 37,76% mais caro, itens básicos da cesta de compras ficam mais pesados, especialmente para famílias de menor renda, que destinam parcela maior do orçamento à alimentação. A alta da batata, da cebola e do arroz agrava o quadro, mostrando que a pressão sobre os alimentos é generalizada e não deve desaparecer rapidamente.
Diante desse cenário, acompanhar a evolução dos preços no atacado e as condições climáticas nas principais regiões produtoras será essencial para entender os próximos passos. A dinâmica atual indica que o tomate seguirá pressionando a inflação nos próximos meses.
