Economia

Anthropic compra livros no Japão e gera reação negativa


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Anthropic compra livros no Japão e gera reação negativa
Crédito: valor.globo.com

Contexto da compra

Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a Nippan Group Holdings vendeu grandes quantidades de livros para a desenvolvedora americana de IA Anthropic. Os livros vendidos eram provenientes de editoras integrantes da Associação de Editores de Livros do Japão. Documentos judiciais dos Estados Unidos, referentes a uma ação judicial por violação de direitos autorais movida por autores contra a Anthropic, mencionavam um acordo de vendas com a Nippan.

A transação gerou questionamentos sobre se os livros seriam usados para treinar IA sem autorização dos autores.

Reação das editoras

Em meados de setembro, a associação enviou uma carta à Nippan solicitando esclarecimentos sobre as transações e os termos do acordo. A distribuidora respondeu na segunda-feira, confirmando as vendas, mas alegando desconhecer se os textos serão utilizados para o treinamento de IA. Tanto a Nippan quanto a Anthropic recusaram-se a comentar transações específicas. A insatisfação das editoras aumentou.

Posicionamento das empresas

A Anthropic afirmou que a compra de livros físicos para treinar grandes modelos de linguagem é uma prática adotada por algumas empresas de IA. A empresa também declarou que nenhum dos programas de aquisição de dados da empresa envolve a compra e destruição de livros raros. Além disso, negou que grandes volumes de textos sejam destruídos após o treinamento. A Nippan, por sua vez, declarou que suas transações estavam em conformidade com a lei. Essas declarações, no entanto, não acalmaram as preocupações das editoras japonesas.

Detalhes da operação

Um estabelecimento que recebeu um pedido de 2 mil itens fechou temporariamente e contratou mais funcionários para realizar o envio ao longo de vários dias. Um representante disse que o pedido pareceu bem diferente das compras habituais que já viram antes. A organização não sabe se os livros seriam utilizados como dados para treinamento de IA. O volume incomum e a falta de clareza sobre o destino final dos livros levantaram dúvidas sobre a transparência do processo.

Análise jurídica

Tatsuhiro Ueno, professor de direito da Universidade Waseda especializado em propriedade intelectual, afirmou que o uso de livros físicos para treinamento de IA é legal segundo a legislação japonesa de direitos autorais. No entanto, se o treinamento for realizado por uma empresa americana nos Estados Unidos, aplica-se a legislação americana. Ueno disse que, desde que o conteúdo dos livros em si não seja reproduzido, é provável que também seja legal nos Estados Unidos, com base em precedentes recentes.

A análise jurídica sugere que a prática pode estar dentro da lei, mas não elimina as preocupações éticas e comerciais das editoras.

Histórico de controvérsias

Em uma ação coletiva nos Estados Unidos, constatou-se que a Anthropic havia baixado cerca de 7 milhões de livros pirateados para uso como dados de treinamento. A Anthropic concordou em pagar um acordo de US$ 1,5 bilhão. Esse histórico recente intensificou a desconfiança das editoras japonesas em relação às intenções da empresa. A compra em massa de livros físicos, somada ao caso de pirataria, reforçou a percepção de que a Anthropic busca obter grandes volumes de texto para treinar seus modelos, independentemente da origem.

Impacto nas relações comerciais

As editoras, que estão entre os principais acionistas da distribuidora, ficaram insatisfeitas com a forma como a questão foi conduzida. Uma grande editora declarou que o fato de não terem conversado com as editoras com as quais mantêm negócios há anos antes de realizar as vendas demonstrou má-fé. A falta de comunicação prévia foi vista como uma quebra de confiança na relação comercial. A associação do setor estuda medidas legais, como notificação extrajudicial, para proteger os interesses das editoras e dos autores.

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