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Ação da JBS pode subir 70%, segundo XP; entenda os motivos


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Ação da JBS pode subir 70%, segundo XP; entenda os motivos
Crédito: www.seudinheiro.com

A JBS (JBSS32) tornou-se a ação favorita da XP no segmento de frigoríficos, após o banco elevar o preço-alvo para os papéis negociados no exterior para US$ 20,30. O novo alvo representa um potencial de valorização de 69% em relação ao patamar atual. A mudança de recomendação reflete a expectativa de que uma dor de cabeça recorrente — a operação de carne bovina nos Estados Unidos — possa se transformar em um trunfo para os resultados da companhia.

Além da XP, a JBS também conquistou a preferência do Itaú BBA no setor de frigoríficos. A convergência de visões entre duas das principais instituições financeiras do país reforça a atenção dos investidores sobre a tese. Ainda assim, a fonte não detalhou os critérios exatos utilizados pelo Itaú BBA para essa escolha.

US Beef pode virar o jogo

O principal ingrediente da tese da XP é uma possível virada no US Beef, a operação de carne bovina da JBS nos Estados Unidos. A tese não depende de uma melhora simultânea em todas as operações da companhia, mas sim de uma recuperação específica nesse segmento. A operação norte-americana começa a encontrar uma combinação mais favorável entre oferta e demanda, o que pode destravar valor para o papel.

Segundo os analistas, a redução da capacidade de abate nos Estados Unidos tende a melhorar os spreads dos frigoríficos. Além disso, a reabertura gradual da fronteira com o México pode ajudar a recompor a oferta de gado, equilibrando o mercado. Esses fatores, combinados, criam um cenário mais positivo para as margens da JBS nos EUA.

A estimativa da XP é de que o Ebitda da operação US Beef passe de US$ 226 milhões negativos em 2026 para US$ 385 milhões positivos em 2027. Essa virada de mais de US$ 600 milhões no resultado operacional seria o motor principal da reavaliação das ações. A melhora deve vir principalmente dos spreads, e não de um salto nos volumes, o que indica um ganho de eficiência e não apenas expansão de receita.

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Primeiro sinal positivo no terceiro trimestre

A XP espera que o US Beef registre sua primeira margem trimestral positiva no terceiro trimestre. Esse seria o primeiro indício concreto de que a operação está se estabilizando após um período desafiador. A expectativa é baseada na dinâmica de oferta e demanda mencionada anteriormente, que começa a se refletir nos números.

Vale destacar que a tese da XP não aposta que todas as peças do negócio vão melhorar ao mesmo tempo. Pelo contrário, a casa reconhece que outras operações seguem pressionadas, mas acredita que uma eventual recuperação do US Beef pode ser suficiente para mudar a percepção do mercado sobre a companhia como um todo.

Seara: previsibilidade após pico do ciclo

Enquanto o US Beef é a grande aposta, a Seara é considerada uma operação mais previsível pela XP. Os analistas avaliam que 2024 e 2025 marcaram o pico do ciclo da Seara, o que sugere uma normalização das margens daqui para frente. A XP projeta margens da Seara na parte inferior da faixa de 13% a 16%, indicando um desempenho estável, porém sem grandes surpresas.

Essa previsibilidade contrasta com a volatilidade do US Beef e ajuda a ancorar as estimativas para o consolidado. A XP não detalhou os fatores que sustentam a visão de que o pico do ciclo da Seara já passou.

Austrália e PPC: ventos contrários

Na Austrália, os volumes seguem fortes, mas a valorização do dólar australiano reduz a rentabilidade das exportações precificadas em dólar. Esse efeito cambial corrói parte do ganho operacional, limitando a contribuição da unidade para o resultado global. A XP não divulgou projeções numéricas para a operação australiana.

Já a PPC, operação de aves nos EUA, deve continuar pressionando os resultados. A XP passou a trabalhar com margens menores por mais tempo para a PPC, diante da desaceleração na colocação de aves e da ausência de cortes relevantes de capacidade pela indústria. Isso significa que a recuperação dessa unidade deve ser mais lenta do que se imaginava anteriormente.

Valuation atrativo e retorno ao acionista

Segundo os cálculos da XP, a JBS negocia a 5,5 vezes o valor de firma sobre o Ebitda estimado para 2027. Esse múltiplo é considerado baixo para uma companhia do porte e da diversificação da JBS. Além disso, o retorno com fluxo de caixa livre (FCFY) estimado é de 8%, e o dividend yield projetado também é de 8%.

Esses indicadores sugerem que, mesmo sem uma virada espetacular no US Beef, a ação já oferece uma combinação interessante de valuation e remuneração ao acionista. A tese da XP, portanto, não depende de um cenário perfeito, mas de uma melhora gradual em um segmento específico que pode redefinir as expectativas do mercado.

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