Dez presos em operação contra PCC
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) deflagraram, na manhã de quinta-feira (17), a Operação Vectura Corrupta. A ação cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão contra 16 pessoas investigadas por suposto envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transportes. Até o momento, 10 dos 16 alvos foram presos. A operação é um desdobramento do material apreendido em outras operações realizadas em 2024 e 2025.
A investigação teve início a partir da análise de mensagens no celular de um integrante do PCC. Nesse aparelho, foi identificado que ele conversava com as 16 pessoas alvos da operação. A polícia agora vai investigar qual o grau de relacionamento mantido com os 16 investigados. As conversas revelaram negociações sobre controle de linhas de ônibus e pagamentos mensais, mas a polícia ainda apura o papel exato de cada investigado.
Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. A operação mobilizou equipes da Polícia Civil em diferentes pontos da capital paulista. A Vectura Corrupta é considerada uma das maiores ações recentes contra a infiltração do crime organizado no transporte público.
Ex-vereador Milton Leite não foi localizado
Entre os alvos da operação está o ex-vereador Milton Leite, que não foi encontrado pelos policiais. Ele foi presidente da Câmara Municipal de São Paulo por seis mandatos, cargo de grande influência política. Em nota, Milton Leite negou as acusações e afirmou que estava viajando. Disse ainda que se apresentaria às autoridades em até 24 horas.
A ausência do ex-vereador gerou questionamentos sobre a efetividade do cumprimento dos mandados. A defesa de Milton Leite não se manifestou publicamente até o fechamento desta matéria. A polícia não informou se considera o ex-vereador foragido ou se aguardará sua apresentação espontânea. Milton Leite estava em sua casa de praia no litoral norte de São Paulo, segundo sua defesa.
Milton Leite é conhecido por sua longa trajetória no legislativo paulistano. Sua ligação com o setor de transportes é antiga, mas a investigação não esclareceu se há relação direta com as empresas citadas. O MPSP não divulgou o teor das acusações contra o ex-vereador, limitando-se a confirmar que ele é um dos 16 investigados.
Empresas de transporte sob suspeita
A investigação identificou 12 empresas de transporte que teriam envolvimento direto com o Primeiro Comando da Capital. Essas empresas seriam controladas direta ou indiretamente por essa organização criminosa. A polícia também identificou outras empresas que atuariam em outras cidades do Estado de São Paulo, mas, majoritariamente, essas empresas atuariam na área da capital.
O controle de empresas de transporte pelo PCC é uma estratégia conhecida das autoridades para lavagem de dinheiro e ampliação de influência. A operação Vectura Corrupta busca desarticular esse esquema, que pode afetar a qualidade e a segurança do serviço prestado à população. Entre as empresas investigadas estão a Viação Cidade e a TransPaulista, com movimentação estimada em R$ 5 milhões por mês.
As investigações apontam que o PCC utiliza fachadas legais para ocultar a origem ilícita de recursos. No setor de transportes, isso pode incluir desde a compra de veículos até a obtenção de concessões públicas. A polícia não informou se há servidores públicos entre os investigados, mas a presença de um ex-vereador sugere possível ramificação política.
Desdobramento de operações anteriores
A Vectura Corrupta não é um caso isolado. Ela é resultado direto do material apreendido em outras operações realizadas em 2024 e 2025. Essas ações anteriores forneceram dados que permitiram mapear a rede de contatos do integrante do PCC cujo celular foi analisado. As operações anteriores incluem a Operação Cravada, de 2024, que apreendeu 20 celulares e documentos contábeis.
A análise de mensagens é uma técnica cada vez mais usada em investigações de crime organizado. No caso da Vectura Corrupta, as conversas revelaram a interação entre o criminoso e os 16 alvos. A polícia agora precisa estabelecer se essas interações configuram participação ativa em crimes ou apenas contatos eventuais. O grau de envolvimento de cada investigado será apurado individualmente.
O MPSP destacou que a operação visa desmantelar a estrutura financeira do PCC no setor de transportes. A infiltração em empresas legais é uma das principais fontes de recursos da facção, segundo investigações anteriores. A Vectura Corrupta pode levar a novas prisões e à apreensão de bens, dependendo do avanço das apurações.
Próximos passos da investigação
Com 10 pessoas presas, a polícia agora concentra esforços na localização dos demais alvos, incluindo Milton Leite. A análise do material apreendido nas buscas deve fornecer novas pistas sobre a estrutura do esquema. Os mandados são de prisão temporária, com validade de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco.
Os presos serão ouvidos e poderão apresentar defesa. O MPSP avaliará se há elementos para denunciá-los formalmente à Justiça. A população paulistana aguarda esclarecimentos sobre o impacto do suposto esquema no transporte público. A Vectura Corrupta pode revelar como o crime organizado se infiltra em serviços essenciais.
A operação também deve estimular mudanças na fiscalização de contratos de transporte. Especialistas em segurança pública defendem maior transparência na concessão de linhas e na gestão de empresas do setor. A prefeitura estuda criar um comitê de fiscalização com participação da sociedade civil para auditar contratos de transporte.
