Investimento

Mover vende participação na Motiva ao Bradesco BBI


5 mins de leitura
Mover vende participação na Motiva ao Bradesco BBI
Crédito: www.seudinheiro.com

Em meio ao processo de reestruturação financeira, o grupo Mover, atualmente em recuperação judicial, anunciou a venda total de sua participação acionária na Motiva (MOTV3), uma das principais empresas de mobilidade do país. Além disso, a transação, revelada ontem (28) por meio de fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tem como comprador o Bradesco BBI.

Com isso, a instituição financeira assume a posição antes detida pelas empresas Sucea Participações e Sincro Participações, veículos de investimento controlados pela Mover.

Detalhes da Negociação

Ademais, o pacote negociado inclui a totalidade das ações pertencentes à Mover na Motiva. Ademais, a operação se insere no contexto do processo de recuperação judicial do grupo e envolve uma fatia de 14,86% do capital social, composta por aproximadamente 300,15 milhões de ações ordinárias.

Valor Estimado

As partes optaram por não divulgar o valor exato da transação. Contudo, ainda assim, considerando o fechamento dos papéis no mercado a R$ 14,69, a agência Reuters projetou que a negociação pode alcançar aproximadamente R$ 4,4 bilhões.

Condicionantes

Além disso, para que o negócio seja concluído, o grupo vendedor destacou que é necessário obter autorizações de órgãos governamentais e atender a outras condições precedentes especificadas no contrato. Ademais, a comunicação formal ao mercado foi feita pela própria Motiva, que incluiu no fato relevante a carta assinada pelas acionistas Sucea e Sincro.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

O Ecossistema da Motiva

Sobretudo, com operações em 13 estados, a Motiva se firmou como um diversificado conglomerado de infraestrutura de transporte e é reconhecida como uma das líderes do setor de mobilidade no país. Além disso, a carteira abrange 37 ativos, divididos entre rodovias, sistemas de trens e metrôs, e aeroportos.

Rodovias

Principalmente, são mais de 5 mil quilômetros de estradas administradas. Por exemplo, os projetos rodoviários incluem a CCR RioSP, que controla a Via Dutra e a Rio Santos.

Aeroportos

Além disso, o portfólio reúne 20 aeroportos espalhados pelo Brasil e pela América Latina, com destaque para os terminais internacionais de Goiânia, Belo Horizonte e São Luís.

Sistemas Metroferroviários

Além disso, diariamente, cerca de 3 milhões de passageiros são transportados em seus sistemas sobre trilhos. Ademais, a empresa opera a CCR Metrô Bahia, a ViaMobilidade em São Paulo — responsável pelas linhas 5, 8 e 9 e pela Linha 4 Amarela — e o VLT Carioca, no Rio de Janeiro.

Estrutura Acionária

Além disso, a composição acionária revela a presença de outros investidores de peso, como Soares Penido, Itaúsa e Votorantim. Ademais, cerca de 49,61% dos papéis são negociados no Novo Mercado, segmento de listagem com exigências rigorosas de governança. Consequentemente, os números apresentados pela própria companhia comprovam a magnitude de suas operações e a capilaridade geográfica de seus ativos.

Histórico de Reestruturação do Grupo Mover

Por outro lado, a história recente do grupo Mover está marcada pela transição da antiga Camargo Corrêa para o atual conglomerado em reestruturação. Além disso, em dezembro de 2024, a holding e sua subsidiária InterCement ingressaram com o pedido de recuperação judicial, acumulando uma dívida de R$ 14,2 bilhões junto a credores externos. Portanto, o processo busca viabilizar a reestruturação do endividamento e assegurar a continuidade das operações.

Ademais, além da fatia na Motiva — empresa que já foi a CCR —, o grupo detém negócios nos setores de cimento (InterCement), engenharia e construção (Camargo Corrêa Infra), incorporação imobiliária (CCDI e HM) e terceirização (Vexia). Dessa forma, a venda da Motiva representa mais uma etapa do esforço de simplificação societária do grupo.

Contudo, no início de 2025, a Justiça interveio em uma operação financeira que envolvia justamente o Bradesco BBI e a então CCR. Consequentemente, uma liminar bloqueou a cobrança e a execução de uma dívida, uma vez que as ações da empresa de mobilidade estavam oferecidas como garantia. Ademais, a decisão baseou-se no instituto do período de suspensão de ações judiciais contra empresas em recuperação judicial, que visa proteger o devedor enquanto negocia seu passivo.

Próximos Passos e Expectativas

Portanto, a conclusão da venda permanece condicionada às aprovações governamentais e ao cumprimento de outras exigências contratuais. Ademais, enquanto o mercado acompanha os trâmites, a Motiva programa para esta quarta-feira (29), após o fechamento da bolsa, a divulgação de seus resultados financeiros trimestrais. Consequentemente, o desempenho da companhia e os reflexos da alteração acionária são aguardados com expectativa pelos acionistas e analistas.

Além disso, a operação, estimada em cerca de R$ 4,4 bilhões, figura entre os maiores negócios recentes do setor de infraestrutura. Dessa forma, com a saída da Mover, o Bradesco BBI assume uma posição destacada entre os investidores da empresa, marcando uma nova fase na estrutura de controle da Motiva.

Fonte