Uma possível tarifa comercial proposta pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou forte reação negativa nas redes sociais contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). É o que aponta um estudo da consultoria Nexus, divulgado nesta quinta-feira (4).
78% das publicações são críticas a Flávio
De acordo com a pesquisa, 78% das publicações sobre a possível tarifa foram críticas a Flávio, enquanto 12% foram favoráveis. Os 10% restantes tiveram caráter neutro ou apenas informativo. O estudo avaliou cerca de 34 mil menções em português publicadas no X, Facebook e Instagram entre terça-feira (2) e quarta-feira (3), até o meio-dia. A amostra foi construída por meio de seleção aleatória de conteúdos.
Excluídas as publicações neutras, o conteúdo crítico a Flávio Bolsonaro sobe para 87%, enquanto as manifestações favoráveis representam 13%. Os números indicam uma reação predominantemente adversa ao senador.
Termos como ‘Tariflávio’ viralizam
Entre os conteúdos analisados, termos como “Tariflávio”, “Flávio Taxadinha” e “BolsoMaster” estiveram entre os mais compartilhados. Além disso, ganharam espaço mensagens em defesa do Pix. Publicações classificavam integrantes da família Bolsonaro como “inimigos do Brasil” ou “traidores da pátria”.
Na avaliação do pesquisador da Nexus, a reação atual reúne características que costumam gerar forte engajamento político. “Qualquer tema que possa ser associado à soberania nacional, interferência estrangeira ou disputa entre os dois campos políticos tende a gerar forte engajamento”, explicou.
Mobilização mais forte entre críticos
Para o pesquisador, a diferença entre os dois campos políticos também apareceu na velocidade de reação. “Entre os críticos de Flávio, a mobilização foi muito mais forte e aparentemente mais organizada. Eles rapidamente criaram expressões como ‘Tariflávio’, que ganhou grande repercussão nas redes”, disse. Na avaliação dele, os opositores do senador também conseguiram construir uma narrativa mais simples e facilmente compartilhável, enquanto a defesa apresentou “argumentos mais dispersos”.
Outro elemento apontado foi a centralidade do Pix no debate. Segundo ele, a ampla aceitação do sistema de pagamentos ajudou a impulsionar as críticas ao senador.
Momento político desfavorável
Na avaliação do pesquisador, a reação negativa ao senador também foi favorecida pelo momento em que o episódio ocorreu. “A segurança pública é uma preocupação central para os brasileiros e tinha potencial para favorecer o Flávio. A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas poderia beneficiar politicamente o senador”, afirmou. No entanto, a tarifa de Trump desviou o foco e gerou uma onda de críticas.
A fonte não detalhou se o senador se manifestou sobre o estudo ou sobre a possível tarifa.
