Indústria brasileira alerta sobre impacto do tarifaço
Em audiência realizada nesta terça-feira (7) no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a indústria brasileira de calçados apresentou argumentos contrários à imposição de tarifas adicionais sobre seus produtos. Representada por Letícia Sperb Masselli, gerente de relacionamento e negócios da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a entidade destacou que as tarifas prejudicariam não apenas o Brasil, mas também os próprios Estados Unidos, que não contam com produção significativa de calçados.
As explanações das partes locais foram todas favoráveis ao Brasil, apontando, sobretudo, o impacto tarifário no país, que não possui produção significativa de calçados. Segundo a Abicalçados, a medida reduziria a competitividade de uma fonte de abastecimento ocidental confiável como o Brasil, em um momento em que a cadeia global busca alternativas à Ásia.
Exportações em queda acendem alerta
Dados apresentados pela Abicalçados mostram que, no primeiro semestre deste ano, a indústria brasileira de calçados exportou 5,6 milhões de pares para os EUA, gerando receita de US$ 82,25 milhões. No entanto, esses números representam quedas de 3,6% em volume e 23,6% em valor em relação ao mesmo período do ano anterior. A retração já sinaliza os desafios enfrentados pelo setor, que teme que tarifas adicionais agravem ainda mais o cenário.
Para a Abicalçados, tarifas adicionais reduziriam a competitividade de uma fonte de abastecimento ocidental confiável como o Brasil. A entidade argumenta que, em um contexto de guerra comercial e busca por diversificação de fornecedores, penalizar o Brasil seria contraproducente para os interesses americanos.
Cooperação bilateral é diferencial competitivo
A indústria calçadista brasileira trabalha em cooperação com importadores, marcas e varejistas locais americanos no desenvolvimento de produtos e coleções. Essa parceria é especialmente relevante em segmentos que exigem menor escala, maior variedade de modelos, prazos de entrega mais curtos — particularmente devido à maior proximidade logística — e maior capacidade de resposta à demanda.
Dessa forma, o Brasil se posiciona como um parceiro ágil e flexível, capaz de atender nichos que a produção asiática, focada em grandes volumes, não consegue suprir com a mesma eficiência.
A audiência na USTR é mais um capítulo na defesa dos interesses do setor calçadista brasileiro, que busca evitar que barreiras tarifárias comprometam uma relação comercial que, segundo a Abicalçados, beneficia ambos os lados. A decisão final sobre as tarifas caberá ao governo americano, mas o setor espera que os argumentos apresentados sejam considerados.

