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Coca-Cola, Tesla e eBay pedem fim de tarifa a produtos brasileiros

Coca-Cola, Tesla e eBay pedem fim de tarifa a produtos brasileiros

Crédito: valor.globo.com

Três gigantes globais — Coca-Cola, Tesla e eBay — enviaram comentários formais ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) solicitando que o governo americano não imponha tarifas sobre produtos brasileiros. As empresas argumentam que as taxas podem prejudicar o fornecimento, a produção e o comércio de seus itens em solo americano. Ao todo, foram enviados ao USTR 365 comentários, entre empresas, associações e pessoas físicas.

Coca-Cola defende isenção para insumos cítricos

A Coca-Cola solicitou que o departamento mantivesse a isenção para insumos de laranja do Brasil, e que acrescentasse uma exclusão equivalente ou regime de transição para insumos de limão, utilizados na fabricação de suas bebidas. A empresa, que depende de concentrados de frutas brasileiros para produzir refrigerantes e sucos, alertou que a tarifa poderia encarecer a produção e reduzir a oferta de seus produtos nos Estados Unidos. O Brasil é um dos maiores fornecedores mundiais de suco de laranja, e a indústria americana de bebidas tem poucas alternativas imediatas para substituir esse insumo.

Tesla pede medidas calibradas

Diante da necessidade de uso dos produtos brasileiros, a Tesla pede, no comentário, “medidas cuidadosamente calibradas, que levem em conta essa realidade”. A montadora de veículos elétricos utiliza componentes fabricados no Brasil, como peças de alumínio e baterias, e teme que tarifas elevadas interrompam sua cadeia de suprimentos. A empresa, que recentemente expandiu sua produção nos EUA, destacou que a imposição de taxas poderia forçar a busca por fornecedores mais caros ou menos eficientes, impactando o preço final dos carros.

eBay alerta para efeito reverso no consumo

A decisão de cobrar tarifas, diz o eBay, implicaria num efeito reverso: o consumidor americano poderia passar a optar por produtos novos e mais baratos, migrando sua vontade de itens de segunda mão por itens importados que poderiam ser fabricados no Brasil. A plataforma de comércio eletrônico argumenta que tributar itens usados não pressionaria os fabricantes brasileiros, já que as empresas receberam pelas vendas dos produtos “zero” anos antes. Em outras palavras, a taxação não atingiria a produção atual brasileira, mas sim o mercado de revenda, que já gerou receita no passado. O eBay também destacou que muitos consumidores americanos de baixa renda dependem de produtos de segunda mão importados, e que tarifas poderiam encarecer esses itens.

Setor produtivo se mobiliza contra tarifas

Os 365 comentários enviados ao USTR refletem a preocupação de amplos setores da economia americana com a possibilidade de taxação de produtos brasileiros. Além das três empresas citadas, associações comerciais e pessoas físicas também se manifestaram, muitas delas destacando a interdependência das cadeias produtivas entre os dois países. O Brasil é um parceiro comercial relevante para os EUA, especialmente em setores como alimentos, minérios e manufaturados. A imposição de tarifas poderia gerar retaliações e afetar o comércio bilateral, que movimenta bilhões de dólares anualmente.

Enquanto o USTR analisa os comentários, as empresas aguardam uma decisão que pode impactar desde o preço do refrigerante até a disponibilidade de carros elétricos. A expectativa é que o governo americano leve em conta os argumentos apresentados e busque um equilíbrio entre a proteção da indústria local e a manutenção de relações comerciais estáveis com o Brasil.

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