O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou neste sábado (25) que a Síria precisará de ajuda internacional para se reconstruir após anos de conflito. A declaração foi feita durante entrevista coletiva em Damasco, na primeira visita oficial do diplomata ao país desde que assumiu o comando das Nações Unidas.
Ao lado do chanceler sírio, Asaad al Shaibani, Guterres reiterou o compromisso da ONU com a transição política e a recuperação econômica do país. O conflito sírio culminou com a queda do regime de Bashar al Assad, em dezembro de 2024. Agora, o novo governo busca estabilizar a nação e lançar as bases para a reconstrução, em um cenário de enormes carências humanitárias e infraestrutura destruída. A visita de Guterres simboliza um passo na reaproximação internacional com Damasco.
Primeira visita de Guterres a Damasco
Esta foi a primeira viagem de António Guterres à Síria desde o início de seu mandato. Antes da entrevista coletiva, ele se reuniu com o presidente Ahmed al Sharaa. Segundo a Presidência síria, o encontro abordou o fortalecimento da cooperação entre o país e a ONU, com foco em ações humanitárias, desenvolvimento e suporte aos esforços de recuperação. A reunião sinalizou um alinhamento de prioridades entre as partes.
ONU promete apoio à transição política e justiça transicional
Guterres reiterou que a ONU está comprometida com o processo de transição política na Síria. “Estamos dispostos a apoiar uma transição política e a justiça transicional”, afirmou o secretário-geral, ao lado de Al Shaibani.
A declaração foi recebida como um aceno às novas autoridades, embora a fonte não tenha detalhado como esse suporte se concretizará. A justiça transicional é vista como chave para lidar com as violações de direitos humanos do passado e promover a reconciliação nacional.
Reconstrução depende da comunidade internacional
A mensagem central de Guterres foi que a Síria não conseguirá se reerguer sozinha. “Nenhum país emerge de um conflito muito grave e se reconstrói por si só”, declarou. O diplomata frisou a necessidade de cooperação internacional em larga escala.
A ONU planeja atuar em parceria com outros atores globais para impulsionar a recuperação, o desenvolvimento e a prosperidade sírias. Sem ajuda externa, o caminho será árduo, alertou o secretário-geral.
Governo sírio prioriza recuperação e retorno de refugiados
Em sua fala, o ministro Asaad al Shaibani destacou que o governo e as Nações Unidas já discutem formas de ampliar a cooperação para a reconstrução. Um dado positivo, segundo ele, é que aproximadamente 3,5 milhões de sírios retornaram ao país desde a queda do regime de Assad, em dezembro de 2024.
Além disso, a administração está elaborando um marco legislativo para migrar da assistência emergencial para políticas de desenvolvimento sustentável. “A reconstrução é agora a prioridade”, enfatizou o chanceler. Ele acrescentou que é fundamental “retirar todas as restrições” que possam atrapalhar o processo.
Colinas de Golã: tensão e soberania
Outro ponto abordado durante a coletiva foi a situação nas Colinas de Golã, território sírio ocupado por Israel. Al Shaibani foi contundente ao classificar a presença israelense como uma violação da soberania síria e uma ameaça à segurança regional.
Guterres, por sua vez, reafirmou o princípio da ONU de defesa da integridade territorial da Síria e pediu o fim imediato das violações do direito internacional. A questão evidencia que, além da reconstrução interna, o país enfrenta desafios geopolíticos complexos.
Visita a locais históricos e à prisão de Sednaya
Paralelamente às reuniões, Guterres percorreu locais emblemáticos de Damasco. Visitou a Mesquita dos Omíadas e a Cidade Velha, ambas de grande relevância histórica. Em seguida, foi à prisão de Sednaya, símbolo da repressão durante o governo de Bashar al Assad.
A passagem pelo presídio trouxe à tona a memória das violações cometidas e a urgência da justiça transicional.
Conclusão: esperanças e obstáculos
A passagem de Guterres por Damasco marca um momento de renovação nas relações entre a Síria e o mundo. As palavras do secretário-geral deixaram claro que a recuperação do país depende de um esforço coletivo e contínuo. A comunidade internacional deve assumir um papel ativo na reconstrução.
Entre promessas de apoio e apelos por soberania, a visita evidenciou tanto as esperanças quanto os enormes obstáculos que ainda persistem. O futuro da Síria, após tantos anos de sofrimento, permanece incerto, mas a ONU sinaliza que não estará ausente.
Fonte
- exame.com
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