Entenda o cenário da Raízen
A homologação do pedido de recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4) nem saiu. O processo ainda está em fase inicial, com previsão de conclusão para agosto. Paralelamente, notícias de que pelo menos seis gestoras estariam sondando os credores para comprar suas dívidas surgiram há algumas semanas. No entanto, não há uma proposta definida, com valores, cláusulas e definições. O que aconteceu foi um primeiro movimento de sondagem, com discussões de opções.
A dívida da Raízen está pulverizada entre 19 grandes bancos nacionais e estrangeiros, além de milhares de detentores de CRAs, debêntures e bonds. Essa pulverização torna a negociação complexa, pois envolve diferentes classes de credores com interesses distintos. Dessa forma, a recuperação extrajudicial busca reestruturar esse passivo de forma consensual, sem a necessidade de um processo judicial mais longo e custoso.
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Prazos e próximos passos
A homologação oficial do plano de recuperação extrajudicial da Raízen está prevista para acontecer em agosto. Nessa mesma época, está prevista a definição, pelos credores, das opções de pagamento. O plano propõe alongamento do prazo, divisão em ações (45%) e dívida (55%) e novas taxas de juros. Ou seja, o percentual pago pela dívida será de 55%.
As gestoras têm até março de 2027 para fechar negócio. A emissão dos novos títulos e ações deve acontecer até março de 2027. Esse prazo alongado dá tempo para que as negociações entre as gestoras e os credores ocorram de forma estruturada. Enquanto isso, as debêntures e CRAs da Raízen ainda podem ser negociadas no mercado secundário, o que oferece liquidez aos atuais detentores.
Conversão de dívida em ações
O plano de recuperação extrajudicial da Raízen prevê a conversão da dívida em ações e novos títulos de dívida. Com 45% do passivo convertido em ações, a parcela dos credores na estrutura da nova companhia será de 80%. Isso significa que os credores se tornarão os principais acionistas, diluindo significativamente a participação dos atuais controladores.
As gestoras interessadas no controle da empresa terão que comprar cerca de 62% dos créditos da Raízen que serão convertidos em ações. Essa fatia é necessária para garantir influência na gestão da companhia. A conversa de pelo menos uma gestora com os bancos está mais avançada, indicando que as negociações podem evoluir para uma proposta concreta nos próximos meses.
Negociações com gestoras
Um acordo fechado entre os bancos e os bondholders garantiria pouco mais de 80% dos créditos da Raízen à gestora compradora. Isso daria à gestora uma posição dominante na assembleia de credores e no futuro conselho da empresa. No entanto, a fonte não detalhou quais gestoras estão envolvidas ou os termos específicos das conversas.
Os títulos de dívida da Raízen negociam próximos a 50% do preço unitário. Esse desconto reflete o risco percebido pelo mercado em relação à recuperação da empresa. Consequentemente, o valor oferecido atualmente pelo crédito no secundário é de 50% do preço unitário, o que pode representar uma oportunidade para investidores que acreditam na viabilidade do plano.
Impacto para os credores
O plano de recuperação extrajudicial da Raízen não prevê um haircut na opção principal, que é a opção A. Isso significa que os credores que optarem por essa alternativa não sofrerão redução no valor nominal de seus créditos. Em vez disso, haverá alongamento do prazo e conversão parcial em ações.
Para os credores, a decisão entre aceitar o plano ou vender seus créditos no mercado secundário dependerá de sua avaliação sobre o futuro da empresa. Aqueles que preferirem liquidez imediata podem vender com desconto, enquanto os que acreditam na recuperação podem optar por se tornar acionistas. Em resumo, o desfecho desse processo será crucial para definir o futuro da Raízen e o retorno dos investidores.
Fonte
- www.seudinheiro.com
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