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Projeção Selic BofA 2026: juros estáveis e alta nos EUA

Projeção Selic BofA 2026: juros estáveis e alta nos EUA

Crédito: www.seudinheiro.com

A visão do Bank of America (BofA) para a política monetária no Brasil e nos Estados Unidos não está em linha com o consenso. Enquanto a maior parte do mercado projeta cortes na Selic ainda neste ano, o BofA aposta em estabilidade. Nos EUA, a expectativa é de alta, não de queda. O banco divulgou suas projeções em relatório recente, destacando que a economia brasileira não pede afrouxamento e que a inflação americana ainda preocupa.

Selic em 14,25%: por que o BofA discorda do mercado?

No Brasil, o BofA projeta a taxa Selic estacionada em 14,25% este ano. A decisão contraria parte do mercado que espera redução nos juros básicos. Para o banco, a economia não está pedindo corte de juros.

Em maio, o IPCA fechou com taxa de 4,72% no acumulado em 12 meses, ainda acima da meta. As projeções futuras de inflação chegaram a 5,33% no final do ano, no relatório Focus. Esses números indicam que a inflação segue pressionada, o que justifica a manutenção dos juros em patamar elevado.

O banco só prevê novos cortes da Selic no segundo semestre de 2027: quatro ajustes de 0,25 p.p., levando a taxa básica para 13,25% ao ano. Até lá, a orientação é de cautela.

David Beker, estrategista-chefe do Bank Of America para a América Latina, afirmou que o mercado está com dificuldade de leitura em relação ao preço do petróleo e demais impactos na inflação. Essa incerteza torna arriscado qualquer movimento prematuro de afrouxamento.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

EUA: três altas nos juros até 4,5%

Nos EUA, a expectativa do BofA é de três aumentos de 0,25 p.p., para a faixa de 4,25% a 4,5% ao fim de 2026. O primeiro aumento nas taxas seria em setembro, de acordo com a previsão do BofA.

O banco optou por manter a projeção de três altas nos juros dos EUA, mesmo diante de um cenário de possível desaceleração econômica. A decisão reflete a preocupação com a inflação, que voltou a subir em diversos países após o choque do petróleo.

Os analistas do BofA veem uma tendência baixista para essa previsão, diante do possível fim da guerra entre EUA e Irã. A convicção em relação ao fim da guerra ainda é limitada, mas, se confirmado, pode aliviar as pressões inflacionárias.

Preço do petróleo: o fator que muda tudo

Atualmente, o preço do barril de petróleo está em US$ 70, abaixo dos US$ 90 que vigoraram durante a maior parte do conflito. Antes da guerra, o barril era negociado a US$ 60. A queda recente já reduziu parte do choque, mas o patamar ainda é elevado.

Guerra e petróleo: o fator que muda tudo

A guerra entre EUA e Irã provocou choque no preço do petróleo e dos seus derivados. Esse choque teve efeito cascata sobre a inflação global. A maior parte dos países começou a registrar repique de inflação e a cogitar o aumento dos juros.

Antes da guerra, a maior parte dos países compartilhava um cenário próximo: inflação de serviços alta, mas inflação de bens de consumo baixa. Com o conflito, o equilíbrio se rompeu.

Para a equipe do BofA, com o petróleo a US$ 70, a tendência para a inflação é baixista. No entanto, a convicção em relação ao fim da guerra ainda é limitada. Se o conflito se intensificar novamente, o petróleo pode voltar a subir, e as projeções de juros podem mudar. Por enquanto, o banco mantém suas apostas, mas reconhece que o cenário é fluido.

Incerteza como única certeza

Para Beker, a única certeza é a incerteza. O mercado vive um momento de difícil leitura, com sinais contraditórios. De um lado, a inflação de serviços segue alta; de outro, os preços das commodities mostram alívio.

O BofA optou por um posicionamento conservador, tanto no Brasil quanto nos EUA. No Brasil, a Selic deve permanecer em 14,25% até que haja sinais claros de desinflação. Nos EUA, os juros devem subir gradualmente, mas com possibilidade de revisão para baixo se a guerra realmente acabar.

O relatório do BofA serve como alerta para investidores e formuladores de política: o caminho dos juros ainda é incerto, e as decisões devem ser tomadas com base em dados, não em expectativas. A divergência com o consenso mostra que cada instituição enxerga riscos diferentes. O tempo dirá quem está certo.

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