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Poluição do ar no cérebro: estudo liga partículas a Parkinson

Poluição do ar no cérebro: estudo liga partículas a Parkinson

Crédito: exame.com

Uma revisão científica conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e publicada na revista Environment International, traz novas evidências sobre os impactos da poluição do ar além dos pulmões. O estudo analisou 32 pesquisas anteriores e, dessa forma, identificou uma associação consistente entre a exposição de longo prazo ao material particulado fino (PM2,5) e o aumento do risco de desenvolver doença de Parkinson. Os resultados indicam que, para cada incremento de 5 µg/m³ na concentração desse poluente, o risco de Parkinson cresce cerca de 10%.

O que o estudo analisou

A equipe de Cambridge examinou 26 pesquisas sobre doença de Parkinson, três estudos sobre esclerose múltipla e três sobre doença do neurônio motor. Ao combinar os dados, os pesquisadores conseguiram reduzir as limitações de estudos individuais, aumentando, consequentemente, a robustez das conclusões. A associação mais consistente observada foi com o PM2,5, partículas microscópicas produzidas principalmente pela queima de combustíveis fósseis, emissões industriais e incêndios.

Como as partículas chegam ao cérebro

O PM2,5 é formado por partículas tão pequenas que conseguem penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. Uma vez no organismo, essas partículas muito pequenas atravessam as barreiras naturais do corpo depois de inaladas. Esse processo pode desencadear inflamação crônica e estresse oxidativo, mecanismos que provocam danos às células e são reconhecidos como fatores envolvidos no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas. Ademais, estudos indicam que a inflamação sistêmica pode afetar diretamente o sistema nervoso central.

Outros poluentes em análise

Além do PM2,5, outro poluente associado ao aumento do risco foi o PM10, composto por partículas maiores, como poeira, fuligem, pólen, cinzas de incêndios e fumaça de motores a diesel. No entanto, a associação com o PM10 foi menos consistente. A maioria dos estudos analisados foi realizada na América do Norte, Europa e Ásia, o que levou os autores a defenderem novas pesquisas envolvendo populações mais diversas.

Limitações e próximos passos

Apesar dos achados, os pesquisadores reconhecem limitações. Apenas três estudos estavam disponíveis para cada uma das doenças – esclerose múltipla e doença do neurônio motor –, o que impede conclusões robustas sobre essas condições. Milhões de pessoas permanecem expostas diariamente à poluição atmosférica, e os autores destacam a necessidade de investigações futuras que incluam diferentes regiões e grupos populacionais para confirmar os efeitos e orientar políticas de saúde pública. Portanto, mais pesquisas são essenciais.

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