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Ozempic para gatos: pesquisas testam remédio para emagrecer animais

Ozempic para gatos: pesquisas testam remédio para emagrecer animais

Crédito: exame.com

A obesidade em gatos é um problema crescente, e a ciência busca soluções inspiradas em medicamentos humanos, como o Ozempic. Dessa forma, dois projetos experimentais — um da Universidade Cornell em parceria com a Akston Biosciences, outro da OKAVA Pharmaceuticals — investigam terapias para reduzir o apetite e promover perda de peso segura em felinos. No entanto, até o momento, não existe Ozempic disponível para gatos, e os tratamentos ainda estão em fase de testes.

Pesquisas testam duas abordagens

O estudo da Universidade Cornell, em parceria com a Akston Biosciences, avalia uma terapia de aplicação semanal em aproximadamente 70 gatos com sobrepeso ou obesidade durante cerca de três meses. Por outro lado, a OKAVA Pharmaceuticals testa um implante capaz de liberar continuamente um medicamento semelhante ao GLP-1 por até seis meses. Ambos os estudos investigam se essas terapias conseguem reduzir o apetite e promover a perda de peso de forma segura. Os resultados dos ensaios clínicos são esperados ainda este ano, mas até o momento nenhum deles teve resultados publicados em revistas científicas revisadas por pares. A iniciativa foi destacada pela CNBC, que repercutiu o potencial dessas pesquisas.

Obesidade felina: um problema comum

Dados da Associação para a Prevenção da Obesidade em Animais de Estimação mostram que, em 2022, 61% dos gatos e 59% dos cães avaliados por veterinários nos Estados Unidos estavam acima do peso ou eram obesos. Consequentemente, o excesso de peso pode levar a doenças como diabetes, problemas articulares e redução da expectativa de vida. Por isso, o desenvolvimento de tratamentos específicos para animais é visto como uma necessidade crescente. As pesquisas atuais buscam oferecer alternativas além de dieta e exercícios, que nem sempre são suficientes ou fáceis de implementar.

Indústria pet investe em cuidados

O avanço dessas pesquisas acompanha uma mudança mais ampla na indústria de produtos para animais de estimação. Empresas do setor vêm ampliando investimentos em nutrição terapêutica, suplementos, exames diagnósticos e tratamentos voltados ao envelhecimento saudável. Segundo estimativas do Morgan Stanley, os gastos com animais de estimação nos Estados Unidos podem passar de cerca de US$ 196 bilhões em 2025 para mais de US$ 240 bilhões em 2030. Esse crescimento reflete a disposição dos tutores em investir na saúde e bem-estar de seus pets.

Especialistas avaliam desafios

Em entrevista à CNBC, o analista Simeon Gutman, do Morgan Stanley, afirmou que medicamentos para obesidade deverão integrar esse conjunto de cuidados, sem substituir estratégias como alimentação especializada, programas de controle de peso e acompanhamento veterinário. Especialistas avaliam que ainda é cedo para prever se medicamentos baseados em GLP-1 se tornarão comuns na medicina veterinária. Gutman avalia que o custo deve ser um dos principais fatores para definir a adoção desses tratamentos pelos proprietários. Além disso, a eficácia e a segurança a longo prazo também precisarão ser comprovadas antes de qualquer aprovação regulatória.

Enquanto isso, tutores de gatos com sobrepeso devem continuar seguindo as orientações tradicionais: consultas regulares ao veterinário, controle da alimentação e estímulo à atividade física. As novas terapias, se aprovadas, poderão ser uma ferramenta adicional, mas não substituem os cuidados básicos. A comunidade científica aguarda os resultados dos estudos para saber se os gatos poderão, em breve, contar com uma ajuda farmacológica para emagrecer.

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