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Maradona não reconhecia familiares antes de morrer, diz enfermeira

Maradona não reconhecia familiares antes de morrer, diz enfermeira

Crédito: exame.com

Dias antes de sua morte, Diego Armando Maradona não reconhecia mais familiares, de acordo com o depoimento de uma enfermeira que integrava a equipe de cuidados domiciliares do ex-jogador. A revelação foi feita durante o julgamento dos seis profissionais de saúde acusados de homicídio simples com dolo eventual pela morte do ídolo argentino, ocorrida em 25 de novembro de 2020.

Equipe de cuidados e restrições de informação

A enfermeira, identificada como Córdoba, fazia parte do grupo de profissionais que acompanhavam Maradona durante o tratamento domiciliar realizado em uma residência nos arredores de Buenos Aires. O período de cuidados se estendeu entre os dias 11 e 25 de novembro, data em que o ex-jogador faleceu. Segundo seu depoimento, as informações sobre o estado de saúde de Maradona deveriam ser repassadas exclusivamente à médica Nancy Forlini, responsável pela área de cuidados domiciliares da Swiss Medical. Essa decisão, conforme áudio exibido no julgamento, foi tomada em conjunto com o psiquiatra Agustín Cosachov, um dos réus no processo.

Sinais de deterioração física

Além do quadro de confusão mental, Córdoba afirmou ter identificado inchaços nas pernas do ex-jogador em duas ocasiões: nos dias 13 e 21 de novembro. O edema, que pode ser indicativo de insuficiência cardíaca, não foi devidamente comunicado à equipe médica devido às restrições impostas. A autópsia posterior revelou que Maradona morreu em decorrência de um edema agudo de pulmão associado a insuficiência cardíaca crônica. Aos 60 anos, o ídolo argentino sucumbiu a complicações cardíacas que, segundo a acusação, poderiam ter sido evitadas com tratamento adequado.

Avaliação neurológica contraditória

Em contraste com o relato da enfermeira, o médico Jorge Macia avaliou neurologicamente Maradona em 12 de novembro e declarou que ele estava lúcido, sem sinais de déficit neurológico ou doença crônica. Essa divergência entre os depoimentos levanta questionamentos sobre a real condição do ex-jogador nos dias que antecederam sua morte. A avaliação de Macia, no entanto, não impediu que a enfermeira observasse a deterioração cognitiva de Maradona, que, segundo ela, já não reconhecia parentes próximos.

Os réus e as acusações

São réus no processo: o psiquiatra Agustín Cosachov, a médica Nancy Forlini, o neurocirurgião Leopoldo Luque, o psicólogo Carlos Díaz, o coordenador de enfermagem Mariano Perroni e o enfermeiro Ricardo Almirón. Todos respondem por homicídio simples com dolo eventual, ou seja, são acusados de assumir o risco de matar ao não prestar os cuidados necessários. O julgamento, que ocorre em Buenos Aires, busca determinar se a negligência da equipe médica contribuiu diretamente para a morte de Maradona.

Contexto histórico: o gol do século

O depoimento da enfermeira ocorre em meio a um momento de celebração na Argentina: na semana passada, o futebol relembrou os 40 anos do chamado “Gol do Século”, marcado por Diego Armando Maradona contra a Inglaterra, nas quartas de final da Copa do Mundo do México de 1986. O confronto entre Argentina e Inglaterra naquele ano estava carregado de tensão, pois quatro anos antes os dois países haviam travado a Guerra das Malvinas (Falklands), conflito que deixou centenas de mortos e profundas marcas políticas. A partida ocorreu no Estádio Azteca, na Cidade do México, e Maradona eternizou seu nome ao driblar metade do time inglês antes de marcar o gol considerado o mais bonito da história das Copas.

O contraste entre a glória esportiva e o fim trágico do ídolo, agora sob os holofotes de um julgamento por negligência médica, comove a Argentina e o mundo. O depoimento da enfermeira Córdoba adiciona mais um capítulo a essa história, revelando detalhes perturbadores sobre os últimos dias de um dos maiores jogadores de todos os tempos.

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