A Insider, marca conhecida por seu portfólio 100% masculino até então, decidiu olhar com atenção para um público que já dava sinais de interesse: as mulheres. A cofundadora Carolina Matsuse explica que a empresa identificou uma combinação de sinais em sua base de clientes e, a partir disso, criou uma estratégia para a transformação de produtos, comunicação e canais de venda. O movimento não foi apenas uma expansão de linha, mas uma adaptação profunda para atender às expectativas femininas.
Os números ajudam a entender a decisão. As mulheres têm ticket médio 6% superior ao dos homens e uma taxa de recompra 40% maior. Além disso, cerca de metade das clientes que retornam ao site aproveita para conhecer outras categorias. Esses dados indicam não só presença, mas engajamento e potencial de crescimento.
Mulheres já compravam, mas sem produtos dedicados
Antes do lançamento da linha feminina, a Insider não oferecia peças específicas para esse público. Ainda assim, muitas mulheres compravam itens da coleção masculina, seja para presentear ou para uso próprio em modelos unissex. A empresa percebeu que havia demanda reprimida e que a experiência de compra poderia ser aprimorada.
Carolina Matsuse destaca que a transformação envolveu não apenas criar novos produtos, mas ajustar a comunicação e os canais de venda. O objetivo era fazer com que as consumidoras se sentissem acolhidas e compreendidas em cada ponto de contato com a marca.
Linha feminina estreia com seis peças essenciais
O portfólio feminino chega ao mercado com seis produtos, entre sutiãs, tops, calcinha e legging. Os preços variam de R$ 59 (calcinha) a R$ 369 (legging), buscando atender diferentes perfis e ocasiões de uso. A proposta é oferecer peças básicas, mas com a tecnologia e o conforto que já são assinatura da Insider.
O ciclo de desenvolvimento de um produto da Insider leva cerca de nove meses. Durante esse período, o time distribui diversos tamanhos, do PP ao XGG, para garantir que as peças vistam bem em diferentes corpos. O processo é acompanhado por testes laboratoriais para medir as características técnicas das peças, como elasticidade, respirabilidade e durabilidade.
Canais de venda se adaptam ao comportamento feminino
A estratégia de canais também mudou. Os homens apresentam maior conversão pelo site, mas o aplicativo tem se mostrado relevante na conexão com consumidoras. Por isso, a Insider passou a investir mais no app, oferecendo uma experiência de navegação e compra pensada para o uso mobile, que é predominante entre as mulheres.
Outro movimento importante foi a entrada no WhatsApp como novo canal de vendas. A ferramenta permite um atendimento mais próximo e personalizado, algo que as consumidoras valorizam. Além disso, a Insider foi uma das primeiras marcas de moda a entrar no TikTok Shop quando o serviço chegou ao Brasil, aproveitando o potencial de descoberta e compra por vídeos curtos.
Comunicação reforça identificação e acolhimento
Na comunicação, a marca passou a adotar uma linguagem mais inclusiva e imagens que representam a diversidade de corpos e estilos. A ideia é que as mulheres se vejam nas campanhas e sintam que a Insider é uma marca para elas também. A mudança não se limita ao discurso, mas se reflete na escolha de influenciadoras, no tom das redes sociais e no atendimento ao cliente.
Carolina Matsuse ressalta que a transformação foi gradual e baseada em dados. A empresa monitorou o comportamento das consumidoras em cada etapa, ajustando a estratégia conforme os resultados. O objetivo é construir uma relação duradoura, não apenas vender produtos isolados.
Resultados iniciais apontam para crescimento sustentável
A Insider não divulga números absolutos de vendas, mas os indicadores de ticket médio e recompra apontam para um potencial de receita recorrente no público feminino. A taxa de recompra 40% maior entre as mulheres indica fidelidade, mas o impacto no crescimento de longo prazo ainda não foi mensurado.
A estratégia de adaptar produtos, comunicação e canais mostra que a Insider não está apenas lançando uma linha, mas reposicionando sua marca para um mercado mais amplo. A expectativa é que a linha feminina se torne uma parte significativa do faturamento nos próximos anos.
Próximos passos incluem expansão gradual
A empresa planeja ampliar a linha feminina com novos produtos e cores até o final do ano, sempre seguindo o ciclo de desenvolvimento de nove meses e os testes laboratoriais. A ideia é manter o padrão de qualidade que já conquistou os clientes masculinos, mas com modelagens e tecidos pensados para o corpo feminino.
Além disso, a Insider deve continuar investindo em canais digitais, especialmente no aplicativo e no WhatsApp, que se mostraram eficientes para alcançar as mulheres. O TikTok Shop também deve ganhar mais atenção, já que a marca foi pioneira no uso da ferramenta no Brasil.
A fonte não detalhou metas específicas de vendas ou participação de mercado, mas o movimento indica uma aposta clara no potencial do público feminino. Com uma base de clientes engajada e uma estratégia bem estruturada, a Insider busca consolidar sua presença no vestuário feminino sem perder a essência que a tornou conhecida.
Fonte
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