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ICE deporta brasileiro detido na Califórnia

ICE deporta brasileiro detido na Califórnia

Crédito: valor.globo.com

Um brasileiro que reside nos Estados Unidos há mais de vinte anos foi detido por agentes do ICE na última terça-feira e ameaçado de deportação para a Guiana, segundo sua advogada Jane Oak. Alex Pereira-Alves, de 47 anos, mora há mais de 16 anos em West Hollywood, na Califórnia, onde atua como segurança e personal trainer. A detenção ocorreu após uma convocação inesperada do ICE, e agora ele enfrenta um processo que pode resultar em sua remoção para um país onde a homossexualidade é criminalizada.

Detenção e ameaça de deportação

Na segunda-feira, Alex foi surpreendido por uma ligação do ICE exigindo sua apresentação no dia seguinte, terça-feira. Segundo a advogada, chegando lá, Alex nem pegou a fila de atendimento e, em 5 minutos, foi algemado, detido e a deportação foi anunciada. Ele está detido no Centro de Detenção de Adelanto, que tem sido denunciado por suas condições precárias. No mês passado, um juiz federal ordenou melhorias no fornecimento de água e atendimento médico do local, após duas mortes em um intervalo de poucas semanas.

Alex é formado em marketing e já morou em Londres e na Austrália, segundo seu amigo Jeff Markwardt. Agentes do ICE estiveram na casa de Alex duas vezes este ano, conforme Jeff. Em abril, Alex foi chamado pelo ICE e recebeu uma ordem de supervisão, um documento que permite a um não cidadão, sujeito a uma ordem de remoção, residir nos EUA sob regras específicas de apresentação e monitoramento. Segundo a advogada, Alex era monitorado pelo seu celular.

Proteção legal e riscos no Brasil

Alex conseguiu uma suspensão de deportação ao Brasil, uma proteção prevista na lei de imigração dos EUA que impede o governo de enviar uma pessoa para um país específico onde sua vida ou liberdade corram risco. Alex é gay e alegou ter sofrido riscos reais por causa disso no Brasil. Essa proteção concede o direito à pessoa de permanecer legalmente e trabalhar no país, mas não oferece um caminho para a residência permanente.

Desde 2018, Alex tinha de fazer um check-in no centro, mas era tudo muito tranquilo; com o governo Trump, ele precisava ir a cada três meses e cada hora a localização era uma. Alex teria de se reapresentar fisicamente às autoridades em novembro deste ano, e para isso havia contratado serviços jurídicos. No entanto, a convocação antecipada mudou os planos.

Incerteza sobre o destino

Alex está preocupado porque não sabe se será deportado para a Guiana, como entendeu sua advogada, ou para Gana, como ele próprio entendeu, ou ainda para Goiânia, sua cidade originária. A Guiana é o único país da América do Sul que ainda criminaliza a homossexualidade. Essa incerteza aumenta a angústia do brasileiro, que teme por sua segurança caso seja enviado a um país onde sua orientação sexual é crime.

Medidas judiciais e suspensão temporária

A advogada de Alex entrou com um pedido de habeas corpus alegando que os direitos dele foram violados durante a detenção e solicitando que o brasileiro possa aguardar o processo em liberdade em solo americano. No fim da semana, um juiz federal suspendeu temporariamente a deportação de Alex. O governo americano tem até 21 de agosto para prestar esclarecimentos, e Alex terá até 24 de agosto para responder.

Enquanto isso, Alex permanece detido no Centro de Detenção de Adelanto, aguardando os próximos passos do processo. A comunidade de West Hollywood, onde ele vive há mais de uma década, acompanha o caso com apreensão. A advogada Jane Oak não detalhou as condições atuais de Alex, mas a defesa segue trabalhando para garantir que ele possa aguardar o desfecho em liberdade.

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