A fusão entre a Tesla (TSLA) e a SpaceX (SPCX), ambas comandadas por Elon Musk, é considerada provável pelo Barclays, embora não haja consenso no mercado. Na quinta-feira (15), as ações das duas companhias recuaram, em um dia de queda também para o setor de tecnologia como um todo. Ainda assim, o banco britânico detalha cenários, prazos e impactos para os acionistas caso o negócio saia do papel.
Prazo para a fusão: assembleia da Tesla é decisiva
Segundo as regras da SEC, o órgão regulador do mercado de capitais dos EUA, a Tesla precisa realizar sua assembleia geral anual até 6 de dezembro. Para Dan Levy, analista do banco, esse seria o palco natural para os acionistas votarem uma eventual proposta de fusão. Um anúncio que fique para outubro ou o início de novembro “pode desafiar cada vez mais a aprovação da fusão como parte da assembleia geral”, alerta Levy.
O Barclays avalia que, nesse cenário, o acordo ainda poderia sair nos próximos seis a 12 meses. Os investidores enxergam vantagem em fechar qualquer negócio dentro do ambiente favorável a fusões e aquisições da administração de Donald Trump. A janela regulatória mais permissiva é um fator que pesa a favor da concretização.
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Por que a fusão faz sentido? Integração de IA
Na visão de Levy, o grande argumento a favor da fusão é a integração vertical de inteligência artificial. De um lado, a “IA física” da Tesla, como o Robotaxi e o robô Optimus. De outro, a “IA virtual” da SpaceX, como o Grok. O elo entre as duas seria a Terafab, a fábrica de chips planejada pela companhia, que forneceria o hardware para tudo isso.
Hoje, as decisões sobre a Terafab precisam passar pela aprovação dos conselhos das duas empresas. Um processo que, segundo a Tesla e o próprio Elon Musk levaria “um tempo”. A fusão eliminaria essa etapa, acelerando a integração tecnológica e operacional.
Sinais de Musk e estrutura da operação
O fator que mais pesa a favor da fusão, segundo o Barclays, é que o próprio Elon Musk tem dado sinais claros nessa direção. Na última teleconferência de resultados da Tesla, o bilionário observou que há “cada vez mais sobreposição” entre as duas companhias, seja em operações, em tecnologia ou até na compra de Cybertrucks pela SpaceX.
Na All-In Summit, no mês passado, ele foi além e questionou: com tanta colaboração em diversos níveis, que ação alguém tomaria diante de cooperação tão próxima em tantas áreas?
Por isso, o Barclays espera que a SpaceX seja a compradora, em uma operação totalmente em ações. Nos valores atuais, cada ação da Tesla equivaleria a cerca de 0,7 ação da SpaceX, antes de qualquer prêmio de aquisição. Nessa simulação, Elon Musk passaria a deter cerca de 37% da empresa combinada e controlaria 56% dos votos, bem acima dos 25% da Tesla que ele há muito tempo diz querer ter.
Impacto para acionistas da Tesla e da SpaceX
Quem tem Tesla
Na hipótese traçada pelo Barclays, o papel seria trocado por ações da SpaceX, na proporção de aproximadamente 0,7 para 1, antes de qualquer prêmio. O prêmio, aliás, é um ponto em aberto e será decisivo: quanto maior, melhor para quem está do lado da Tesla. O Barclays não estima um valor, mas analistas citam prêmios de 20% a 30% em fusões semelhantes. A decisão final, ao menos no cenário do banco, seria dos próprios acionistas, em votação na assembleia.
Quem tem SpaceX
A empresa seria a compradora e, portanto, a estrutura sobrevivente. Os acionistas da companhia espacial manteriam suas posições, agora em uma empresa combinada com a Tesla. O Barclays não detalhou como seria a governança ou o conselho da nova entidade, mas destacou que Musk teria 56% dos votos, o que lhe daria controle majoritário.

