Os estoques de petróleo nos Estados Unidos registraram uma queda acentuada na semana encerrada em 24 de julho, surpreendendo analistas e investidores. Ademais, o Departamento de Energia (DoE) americano divulgou os números na quarta-feira (29), revelando um recuo de 7,167 milhões de barris nos estoques comerciais de óleo bruto. No entanto, esse valor contrasta fortemente com a estimativa média de apenas 600 mil barris de redução, projetada pelos especialistas consultados. Em seguida, o mercado passou a reavaliar as tendências de oferta e demanda.
O relatório semanal do DoE é acompanhado de perto por traders e economistas, pois fornece um raio-x do mercado físico nos Estados Unidos, maior consumidor mundial da commodity. Além disso, os dados do período de 18 a 24 de julho vieram carregados de surpresas, não apenas no petróleo bruto, mas também nos derivados e na atividade das refinarias. Contudo, a combinação deu um tom misto, mas o destaque foi a forte drenagem dos estoques de óleo cru.
Destaques do relatório
- Petróleo bruto: queda de 7,167 milhões de barris (expectativa: -600 mil)
- Utilização das refinarias: 97,2% (expectativa: 95,8%)
- Gasolina: alta de 7 mil barris (expectativa: -800 mil)
- Destilados: alta de 1,062 milhão de barris (expectativa: -300 mil)
- Estoques em Cushing: queda de 771 mil barris
- Reserva Estratégica (SPR): queda de 3,797 milhões de barris
Petróleo bruto despenca mais de 7 milhões de barris
Os inventários comerciais de petróleo caíram para 404,508 milhões de barris, uma baixa de 7,167 milhões na comparação semanal. Portanto, o recuo superou em mais de dez vezes as expectativas, que apontavam para míseros 600 mil barris de retração. Dessa forma, esse tombo expressivo sinaliza uma absorção acelerada da produção, possivelmente puxada pelo avanço industrial das refinarias. Assim sendo, o resultado é um dos mais significativos dos últimos meses e coloca os estoques em patamares abaixo da média para esta época do ano.
Refinarias aceleram produção e puxam demanda
Sobretudo, o motor por trás dessa queda pode ser encontrado na taxa de utilização das refinarias. Além disso, o DoE informou que o indicador subiu de 96,1% para 97,2%, bem acima dos 95,8% estimados. Com as unidades operando em ritmo mais intenso, o consumo de petróleo bruto cresce, esvaziando os tanques de armazenamento. Assim sendo, o nível de 97,2% está muito próximo da capacidade máxima, indicando que o setor está funcionando a todo vapor para atender à demanda sazonal por combustíveis.
No entanto, apesar da força nas refinarias, os números dos derivados não seguiram a mesma lógica e trouxeram surpresas em direção oposta.
Gasolina e destilados sobem na contramão das expectativas
Gasolina registra leve alta de 7 mil barris
Por outro lado, no segmento da gasolina, os estoques tiveram um ligeiro aumento de 7 mil barris, alcançando 211,300 milhões de barris. Todavia, os analistas previam uma queda de 800 mil barris para o período. Embora o incremento seja modesto, o fato de ter ocorrido durante o verão, época de maior consumo de combustível nos EUA, torna o dado contraintuitivo. Portanto, a produção, ao que parece, conseguiu não apenas suprir a demanda, mas também gerar um pequeno excedente.
Destilados apresentam salto de 1,06 milhão de barris
Por outro lado, os estoques de destilados, que englobam diesel e óleo para aquecimento, tiveram um acréscimo expressivo de 1,062 milhão de barris, totalizando 101,630 milhões de barris. Contudo, a previsão dos especialistas era de um declínio de 300 mil barris. Consequentemente, o acúmulo de destilados pode sinalizar uma desaceleração na demanda industrial ou um ritmo de refino direcionado a esses produtos acima do necessário. Ademais, a fonte não detalhou as razões para essa divergência.
Estoques em Cushing recuam 771 mil barris
Além disso, outro ponto relevante do relatório foi a queda nos estoques do terminal de Cushing, em Oklahoma. O volume armazenado diminuiu 771 mil barris, fechando a semana em 18,599 milhões de barris. Embora o DoE não tenha divulgado as expectativas do mercado para essa métrica, a redução é consistente com o cenário de aperto na oferta doméstica. Portanto, Cushing é ponto de entrega crucial para os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI), e movimentos nesse hub costumam repercutir nos preços internacionais.
Reserva estratégica perde mais 3,8 milhões de barris
Ademais, a reserva estratégica de petróleo (SPR, na sigla em inglês) também sofreu novo baque, com um declínio de 3,797 milhões de barris na semana, reduzindo o volume total para 307,650 milhões de barris. Todavia, a fonte não especificou as projeções dos analistas para esse indicador, mas a trajetória de queda reflete a política do governo de liberar barris para conter a escalada dos preços dos combustíveis. Visto que, desde o início dos saques regulares, a SPR vem sendo gradualmente reduzida.
Em resumo, os dados do DoE para a semana de 24 de julho pintam um quadro de contrastes: de um lado, uma redução maciça nos estoques de petróleo bruto, impulsionada pelas refinarias; de outro, aumentos inesperados nos derivados de gasolina e destilados. Portanto, essa dualidade pode refletir um rebalanceamento entre oferta e demanda que ainda está em curso. Consequentemente, o mercado seguirá atento aos próximos relatórios para confirmar tendências e ajustar estratégias.

