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Estádio Evergrande, de R$ 10 bilhões, nunca inaugurado, simboliza a crise

Estádio Evergrande, de R$ 10 bilhões, nunca inaugurado, simboliza a crise

Crédito: www.seudinheiro.com

O estádio do Guangzhou Evergrande, localizado na cidade de Guangzhou, foi projetado para ser um dos maiores do mundo, com um orçamento de cerca de € 1,5 bilhão (R$ 8,9 bilhões), e nunca abriu suas portas. Além disso, a obra faraônica, que deveria abrigar 100 mil torcedores, acabou se transformando em um dos maiores símbolos da crise imobiliária chinesa.

Isso porque o clube que inspirou o projeto, o Guangzhou Evergrande, deixou de existir no futebol profissional, e a empresa que financiava a construção, a gigante Evergrande, entrou em colapso financeiro. Dessa forma, o estádio inacabado reflete a derrocada de um império que, durante anos, dominou o futebol asiático e o mercado imobiliário chinês.

O clube que virou potência asiática

O projeto dependia quase exclusivamente da Evergrande, um dos maiores conglomerados empresariais da China. A história começou em 2010, quando a incorporadora comprou o Guangzhou e iniciou uma era de investimentos pesados. Em pouco tempo, o time se transformou em uma potência do futebol asiático.

Conquistas

Estrelas internacionais

Para alcançar esses feitos, o clube contratou jogadores de renome como Paulinho, Ricardo Goulart, Conca, Elkeson, Robinho e Talisca.

Técnicos renomados

O comando técnico também era de alto nível, com nomes como Luiz Felipe Scolari, Marcello Lippi e Fabio Cannavaro.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

O sonho de um estádio monumental

Com o sucesso em campo, a Evergrande anunciou planos para um estádio monumental. Isto é, a arena, com capacidade para 100 mil torcedores, seria a maior do mundo, um símbolo do poderio econômico do grupo.

O financiamento, no entanto, dependia inteiramente da saúde financeira da construtora, que naquela altura expandia seus negócios de forma agressiva, tomando empréstimos bilionários para bancar novos empreendimentos.

A derrocada financeira da Evergrande

Durante anos, a Evergrande expandiu seus negócios de forma agressiva, financiando novos empreendimentos com empréstimos bilionários. Em pouco tempo, a empresa acumulou mais de US$ 300 bilhões em dívidas, tornando-se o principal rosto da crise imobiliária chinesa.

Além disso, o cenário piorou quando Pequim decidiu restringir o endividamento das construtoras. Diante disso, sem capital de giro, a companhia precisou adotar medidas drásticas:

Posteriormente, o controle do estádio foi assumido pelo governo da cidade de Guangzhou em 2021, após o cancelamento do contrato de uso do terreno pela Evergrande. No entanto, os recursos obtidos com a rescisão foram destinados ao pagamento de credores, mas a construção não foi retomada.

Por quase dois anos, o canteiro de obras permaneceu praticamente abandonado, com guindastes parados e materiais de construção espalhados pelo terreno, como mostravam fotos aéreas de 2022. Dessa forma, a estrutura inacabada tornou-se um retrato fiel do colapso financeiro da incorporadora.

Um novo projeto, ambições reduzidas

Para dar um destino à área, a estatal Guangzhou City Construction Investment Group assumiu o empreendimento e reformulou completamente a proposta. A seguir, confira as principais mudanças:

Com isso, a ambição de ser a maior arena do mundo foi abandonada. Em vez disso, esse título agora está previsto para um estádio no Marrocos, que deve receber a final da Copa do Mundo de 2030.

O clube sucumbe à crise

Enquanto o estádio era redesenhado, o Guangzhou Evergrande afundava em sua própria crise. Consequentemente, os principais jogadores deixaram o time, que acabou rebaixado e perdeu a licença para disputar o futebol profissional por não atender às exigências financeiras da federação chinesa.

Com isso, o clube deixou de existir na elite do futebol, encerrando uma trajetória de glórias que contrasta com o presente de ruínas. Portanto, o estádio, que seria a casa do time, nunca recebeu uma partida oficial.

Hoje, o Estádio Evergrande segue sem data de inauguração. Contudo, o local, que deveria pulsar com o futebol, permanece um espaço vazio. Em resumo, mais do que um elefante branco, a estrutura inacabada é um monumento à crise que abalou o mercado imobiliário chinês e derrubou um de seus maiores conglomerados.

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