Gestores responsáveis por cerca de R$ 180 bilhões em recursos, reunidos no evento XP Expert nesta sexta-feira (24), afirmaram que o mercado financeiro subestima as chances de derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro.
A avaliação foi compartilhada durante painéis do encontro, que contou com a participação de nomes como João Landau, da Vista Capital, e Ruy Alves, da Kinea. Para esses profissionais, o quadro eleitoral está mais equilibrado do que indicam as pesquisas de intenção de voto.
Fatores como a elevada abstenção, o crescimento expressivo de votos nulos — sobretudo em São Paulo — e o comportamento dos eleitores indecisos podem reduzir significativamente a vantagem do petista.
Leitura tradicional das pesquisas pode superestimar vantagem de Lula
João Landau, gestor da Vista Capital, foi enfático ao afirmar que a leitura tradicional das pesquisas pode superestimar a dianteira do presidente. Para embasar sua tese, ele citou o mais recente levantamento Datafolha, divulgado nesta sexta-feira, que mostra Lula com 48% dos votos contra 43% de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Contudo, Landau avalia que a vantagem de cinco pontos percentuais do petista deve ser interpretada com cautela. Em sua visão, Lula estaria, na prática, empatado com o adversário.
“Eu criei a minha teoria de que, apesar das dificuldades do momento, Lula está para perder essa eleição”, declarou Landau. Ele argumentou que o presidente conseguiu incorporar parte do eleitorado que havia se abstido em pleitos anteriores, o que dilui o impacto dos números brutos.
O gestor ressaltou que os eleitores que ainda se dizem indecisos no segundo turno tendem, historicamente, a migrar para candidatos de direita, o que reduziria ainda mais a vantagem do petista. Dessa forma, a margem apontada pelas pesquisas não seria suficientemente robusta.
Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com
Fatores que embaralham as projeções eleitorais
Landau detalhou os elementos que, em sua análise, embaralham as projeções. A seguir, os principais fatores:
- Elevada abstenção, especialmente em grandes centros urbanos;
- Crescimento dos votos nulos, com destaque para São Paulo;
- Comportamento dos indecisos, que historicamente pendem para a direita no segundo turno.
Segundo o gestor, uma diferença de cinco ou seis pontos nas pesquisas já configura empate técnico quando se consideram essas variáveis.
Além disso, Landau apontou que o petista enfrenta um teto eleitoral mais baixo do que o mercado imagina, limitando seu potencial de crescimento. Ele afirmou também que o mercado subestima a capacidade de mobilização de movimentos como o MBL, que podem influenciar o eleitorado de oposição.
Essa combinação de elementos faz com que a probabilidade de derrota do atual mandatário seja maior do que a precificada pelos ativos financeiros, na visão da Vista Capital.
Ambiente econômico acende alerta entre gestores
Riscos fiscais no radar
Além do cenário político, Landau alertou que o ambiente econômico segue delicado e pode se agravar. “Estamos muito próximos de um evento de dívida. Mas ainda há muita coisa para acontecer até essa eleição”, afirmou, sem detalhar qual tipo de evento.
A declaração acendeu um alerta sobre a fragilidade fiscal, embora o gestor não tenha aprofundado o tema.
Desafios estruturais vão além das urnas
Ruy Alves, da Kinea, trouxe uma perspectiva complementar, defendendo que os desafios econômicos vão além do resultado das urnas. Para ele, o país precisará enfrentar questões estruturais acumuladas ao longo dos últimos anos, independentemente de quem assumir o Palácio do Planalto.
Alves foi categórico ao afastar a ideia de uma solução simples. “Eu não sei quem vai ganhar a eleição. Se o Flávio Bolsonaro ganhar, você acha que isso resolve o problema? Sem planejamento e sem apoio político, não resolve. Não existe salvador da pátria. Mesmo que a oposição vença, o trabalho será muito difícil”, ponderou.
A avaliação dos gestores reforça a percepção de que o debate eleitoral já começou a influenciar as expectativas para os ativos brasileiros, embora a fonte não tenha detalhado os impactos específicos.
O encontro na XP Expert expôs uma visão cautelosa por parte de gestores de grandes fortunas, que enxergam riscos subestimados tanto no campo político quanto no econômico. Enquanto as pesquisas mostram Lula à frente, os profissionais ouvidos sugerem que a realidade das urnas pode surpreender o mercado, com desdobramentos que ainda precisam ser assimilados pelos investidores.
Fonte
- www.seudinheiro.com
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