Empresas brasileiras consideram que o Brasil tem que acelerar o máximo possível sua agenda de adaptação às mudanças climáticas diante dos riscos previstos com a chegada no final de 2026 do fenômeno El Niño, que pode ser o mais intenso das últimas décadas. O alerta foi reforçado durante a quarta edição do Fórum Latino-Americano de Economia Verde (FLEV), organizado pela Agência EFE em São Paulo no dia 3 de setembro, com participação de autoridades, especialistas e representantes do setor empresarial, entre eles o CEBDS.
O evento contou com o patrocínio da ApexBrasil e do WWF-Brasil, além do apoio de AYA Earth Partners, Imaflora e Observatório do Clima.
Impactos econômicos previstos para o Brasil
Os graves efeitos que o El Niño pode ter nos próximos meses na economia brasileira, como redução de água nas usinas hidrelétricas e inflação nos alimentos, devido a uma seca prolongada, exigem medidas de adaptação que deveriam ter sido adotadas previamente. O fenômeno pode causar uma prolongada e grave seca na Amazônia e no Nordeste, assim como chuvas excessivas no Sul. Essas condições climáticas extremas afetam diretamente a produção agrícola, o abastecimento de energia e o custo de vida da população.
Essas medidas de adaptação são necessárias para evitar a forte alta do preço dos alimentos que é esperada, e o consequente repique da inflação, quando o El Niño se manifestar com maior intensidade. Segundo especialistas, cerca de 90% da agricultura brasileira depende do regime de chuvas. A dependência hídrica torna o setor vulnerável a estiagens prolongadas, o que pode reduzir a oferta de produtos básicos e pressionar os índices de preços ao consumidor.
Probabilidade de El Niño muito forte
Boletins de monitoramento do El Niño divulgados em agosto de 2026 pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam mais de 90% de probabilidade de o fenômeno alcançar a classificação “muito forte” e persistir até o início de 2027. A expectativa é que o fenômeno alcance seu pico entre outubro e dezembro, período que coincide precisamente com o início do plantio da próxima safra brasileira.
Essa sobreposição temporal aumenta o risco de perdas agrícolas, pois as lavouras recém-semeadas necessitam de umidade adequada para germinar e se desenvolver.
Nas duas últimas vezes em que foi classificado como “muito forte”, em 1997-1998 e em 2015-2016, o fenômeno teve um impacto significativo na economia, com secas prolongadas, redução da geração hidrelétrica e aumento dos incêndios. As projeções atuais indicam que o episódio de 2026 pode ter intensidade semelhante à dos eventos anteriores. A memória desses eventos passados serve de referência para dimensionar os desafios que o país pode enfrentar nos próximos meses.
Setor empresarial cobra ação imediata
Durante o FLEV, representantes empresariais enfatizaram que a adaptação climática não pode mais ser adiada. A redução de água nas usinas hidrelétricas, por exemplo, pode levar ao acionamento de termelétricas mais caras, elevando o custo da energia para indústrias e consumidores. Além disso, a inflação de alimentos atinge desproporcionalmente as famílias de baixa renda, que destinam parcela maior do orçamento à alimentação. Medidas como investimento em irrigação eficiente, armazenamento de água, diversificação de culturas e fortalecimento de sistemas de alerta precoce foram citadas como essenciais para mitigar os impactos.
O CEBDS, que representa grandes empresas no debate sobre sustentabilidade, destacou a urgência de integrar a adaptação climática às políticas públicas e aos planos de negócios. A entidade ressaltou que o setor privado já enfrenta riscos físicos e de transição, e que a resiliência da economia depende de ações coordenadas entre governo, empresas e sociedade civil. Durante o evento, foram citadas medidas como investimento em irrigação eficiente, armazenamento de água e diversificação de culturas, mas sem detalhamento de metas ou prazos.
Lições dos episódios anteriores
Os eventos de 1997-1998 e 2015-2016 deixaram marcas profundas na economia brasileira. Naqueles períodos, a seca prolongada reduziu o nível dos reservatórios das hidrelétricas, forçando racionamento de energia e aumento das tarifas. Os incêndios florestais também se intensificaram, especialmente na Amazônia, agravando a perda de biodiversidade e a emissão de gases de efeito estufa. A agricultura sofreu quebras de safra, com impacto direto nos preços de commodities e alimentos básicos.
O episódio de 2026 preocupa as autoridades precisamente pela possibilidade de ter uma intensidade comparável. Se as projeções se confirmarem, o Brasil poderá enfrentar simultaneamente estresse hídrico no Norte e Nordeste, enchentes no Sul e pressão inflacionária generalizada. A coincidência do pico do fenômeno com o plantio da safra 2026/2027 adiciona um elemento de risco que não estava presente nos eventos anteriores, quando o pico ocorreu em meses diferentes do calendário agrícola.
Adaptação como prioridade nacional
No FLEV, especialistas alertaram que a adaptação deve ser tratada como prioridade nacional. O evento contou com o patrocínio da ApexBrasil e do WWF-Brasil, além do apoio de AYA Earth Partners, Imaflora e Observatório do Clima. A presença de múltiplos atores reflete a complexidade do desafio e a necessidade de respostas integradas.
Especialistas presentes no fórum alertaram que a adaptação deve ser tratada como prioridade nacional, com investimentos em infraestrutura hídrica, agricultura resiliente e sistemas de monitoramento climático. A dependência de 90% da agricultura em relação ao regime de chuvas torna o país particularmente exposto a variações no ciclo hidrológico. Políticas de longo prazo, como o zoneamento agrícola de risco climático e o seguro rural, foram apontadas como ferramentas para reduzir a vulnerabilidade dos produtores.
O setor empresarial também destacou a importância de engajar cadeias de suprimentos e consumidores na construção de resiliência. A adoção de práticas sustentáveis, como o plantio direto, a rotação de culturas e a recuperação de pastagens degradadas, pode aumentar a capacidade do solo de reter água e reduzir os impactos da seca. Além disso, investimentos em energia renovável diversificada, como solar e eólica, podem compensar parcialmente a queda na geração hidrelétrica durante períodos de estiagem.
Diante do cenário projetado, a mensagem das empresas é clara: o Brasil não pode esperar o fenômeno se manifestar para agir. A aceleração da agenda de adaptação é vista como condição para proteger a economia, garantir a segurança alimentar e energética e reduzir os custos sociais dos eventos climáticos extremos. O FLEV serviu como plataforma para amplificar esse chamado, conectando diferentes setores em torno de soluções práticas e urgentes.
Fonte
- exame.com
- Assinar (lps.exame.com)
- Entrar (id.exame.com)
- Amazônia (amazonia.exame.com)
- Priorizar nos meus resultados Google (google.com)
- faculdade exame (www.exame.com)

