Um deslizamento de grandes proporções na fronteira entre Nepal e Tibete, ocorrido recentemente, trouxe à tona os riscos crescentes associados às mudanças climáticas em regiões de alta montanha. Em 12 de agosto de 2026, um deslizamento de rochas e gelo na fronteira entre Nepal e Tibete gerou um fluxo de lama e detritos que percorreu 120 quilômetros, danificando seis hidrelétricas e alterando o curso do rio Bhotekoshi. Simon Cox, cientista-chefe do programa ‘Das Montanhas ao Mar’, da Earth Sciences New Zealand, afirmou que o aquecimento global não deve ser apontado como único fator responsável pelo desastre, mas pode ter contribuído para criar condições mais favoráveis ao colapso.
Mudanças climáticas desestabilizam altas montanhas
Simon Cox, cientista-chefe do programa “Das Montanhas ao Mar”, da Earth Sciences New Zealand, afirmou que as mudanças climáticas estão criando condições capazes de desestabilizar rochas e gelo em regiões de alta altitude, favorecendo desabamentos e desastres em cadeia. A declaração reforça a preocupação de especialistas com a vulnerabilidade crescente do Himalaia, uma das cadeias montanhosas mais sensíveis ao aquecimento global. Segundo Cox, o derretimento acelerado das geleiras e a alteração dos padrões de precipitação são fatores que aumentam a probabilidade de eventos extremos. A fonte não detalhou o mecanismo exato do colapso, mas destacou a tendência de agravamento dos riscos.
Região do Hindu Kush sob alerta
O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas (ICIMOD), organização sediada no Nepal, afirma que inundações, deslizamentos, avalanches e secas estão se tornando mais frequentes e intensos na região do Hindu Kush, cadeia montanhosa que inclui parte do Himalaia. Para Farooq Azam, especialista sênior em criosfera, a parte da superfície terrestre coberta por gelo, o aumento das temperaturas tornou essa região mais vulnerável do que no passado. A combinação de degelo acelerado e chuvas mais intensas cria um cenário propício para desastres em cascata, como o registrado na fronteira. Esses eventos, segundo o ICIMOD, têm potencial para afetar milhões de pessoas que vivem rio abaixo.
Danos a hidrelétricas e infraestrutura
Seis centrais hidrelétricas, incluindo a usina de Upper Tamakoshi, e o porto comercial de Gyirong foram danificados, interrompendo o fornecimento de energia para 50 mil pessoas. O fluxo de água, lama e rochas também alterou leitos de rios mais de 100 quilômetros abaixo do ponto inicial do deslizamento, próximo à fronteira com a Índia. Os danos às usinas hidrelétricas levantam preocupações sobre o fornecimento de energia e a segurança das barragens na região. Autoridades locais não divulgaram um balanço completo dos prejuízos, mas equipes de emergência foram mobilizadas para avaliar a extensão dos estragos.
Histórico recente de eventos semelhantes
Eventos anteriores incluem a inundação de Gyirong em 2025 (10 mortes), o rompimento do lago glacial de Thame em 2024 (5 mortes) e o desastre de Sikkim em 2023 (40 mortes), mostrando aumento na letalidade. Esses episódios indicam uma tendência preocupante de aumento na frequência e na magnitude de desastres relacionados ao degelo e a chuvas extremas. Especialistas alertam que, sem medidas de adaptação e mitigação, a população local continuará exposta a riscos significativos. A fonte não detalhou as causas específicas de cada evento anterior.
Geleiras do Nepal derretem em ritmo acelerado
Segundo o relatório ‘State of the Cryosphere 2023’ do PNUMA, as montanhas nevadas do Nepal perderam 30% da cobertura de gelo entre 1990 e 2023. Na mesma avaliação, a ONU apontou que as geleiras nepalesas derreteram 65% mais rápido na década anterior do que na década anterior a ela. Esses dados reforçam a ligação entre o aquecimento global e a instabilidade das encostas, uma vez que o degelo remove o suporte natural do terreno. A aceleração do derretimento também contribui para a formação de lagos glaciais, que podem romper e causar inundações catastróficas.
Especialistas recomendam a instalação de sistemas de alerta precoce em 50 bacias glaciais de alto risco e a realocação de 10 mil moradores de áreas vulneráveis até 2030. Enquanto as causas imediatas do colapso ainda são investigadas, o consenso científico aponta para um cenário de maior vulnerabilidade climática na região do Himalaia.
Fonte
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