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Primeira cirurgia cerebral com IA remove tumor com sucesso

Primeira cirurgia cerebral com IA remove tumor com sucesso

Crédito: www.seudinheiro.com

Um paciente britânico se tornou o primeiro do mundo a passar por uma cirurgia cerebral com assistência de inteligência artificial ao vivo. O procedimento ocorreu no Hospital da Universidade College de Londres (UCLH), onde os cirurgiões removeram o tumor do paciente Rhys Hibbert com sucesso. A tecnologia, semelhante ao reconhecimento facial usado em smartphones, analisou a transmissão de vídeo durante a operação e orientou a equipe médica sobre como evitar vasos sanguíneos e nervos cerebrais cruciais que não eram visíveis diretamente.

Paciente saudável descobre tumor após convulsão

Rhys Hibbert, gerente de atendimento ao cliente e pai de dois filhos, era uma pessoa saudável e tinha o costume de fazer uma caminhada de cerca de 3 km todos os dias na hora do almoço. Durante uma dessas caminhadas, ele perdeu a consciência e convulsionou. Após realizar um exame cerebral, descobriu que tinha um tumor benigno de 11 mm na glândula pituitária (hipófise). O tumor estava muito próximo das artérias carótidas e dos nervos ópticos, estruturas delicadas que exigem extrema precisão cirúrgica.

Conforme o tumor cresceu, ele começou a pressionar os nervos ópticos, fazendo com que a visão periférica de Hibbert fosse reduzindo. Esse sintoma é comum em tumores hipofisários, pois a glândula fica na base do crânio, próxima ao quiasma óptico. A perda de campo visual pode ser gradual e, muitas vezes, o paciente só percebe quando já há comprometimento significativo. No caso de Hibbert, a descoberta do tumor ocorreu após a convulsão, mas a redução da visão periférica pode ter sido um sinal anterior que passou despercebido.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

Cirurgia delicada com riscos consideráveis

A cirurgia consistiu na inserção de um endoscópio, uma câmera fina acoplada a uma haste, através do nariz até a base do crânio. Esse acesso minimamente invasivo evita a abertura do crânio, mas exige navegação precisa por estruturas anatômicas complexas. O tumor estava escondido atrás de uma camada de osso e de uma membrana resistente, o que dificultava a visualização direta.

Havia entre 25% e 50% de chance de não conseguir remover totalmente o tumor e entre 0,5% e 2% de risco de danificar um grande vaso sanguíneo, como a artéria carótida interna.

Em média, um cirurgião britânico realiza entre 10 e 20 operações desse tipo por ano, baseando-se principalmente em exames de imagem feitos antes da cirurgia para compreender a anatomia do paciente. No entanto, as imagens pré-operatórias não mostram as variações em tempo real que ocorrem durante a manipulação dos tecidos. A IA utiliza visão computacional para analisar o vídeo em tempo real e destacar vasos e nervos, mesmo quando ocultos por tecido.

IA em tempo real orienta cirurgiões

Enquanto a cirurgia acontecia, a IA analisou a transmissão de vídeo e orientou os cirurgiões sobre como evitar vasos sanguíneos e nervos cerebrais cruciais que não eram visíveis diretamente. A tecnologia é semelhante ao reconhecimento facial usado em smartphones, mas identifica estruturas anatômicas importantes e frequentemente ocultas. Graças à ajuda, os médicos conseguiram remover a maior quantidade possível do tumor com segurança, preservando as funções neurológicas do paciente.

O diferencial da IA usada na cirurgia de Hibbert é que ela funciona em tempo real. Diferentemente dos sistemas de navegação baseados em imagens pré-operatórias, a IA processa o vídeo ao vivo e fornece orientações dinâmicas. Isso permite que a equipe cirúrgica ajuste sua abordagem conforme a anatomia se modifica durante o procedimento.

O professor Hani Marcus afirmou à BBC que a IA foi treinada com mais operações do que a maioria dos cirurgiões vê ou realiza durante toda a vida profissional e pode funcionar como um segundo par de olhos especializado.

Cirurgiões mantêm controle total

A equipe destacou que o papel da IA é auxiliar o processo enquanto os cirurgiões mantêm controle total da operação. A tecnologia não toma decisões autônomas, mas oferece suporte visual e informativo. O objetivo de longo prazo é desenvolver uma ferramenta de consulta para aconselhamento em tempo real, semelhante a um assistente virtual. O professor explicou que o objetivo é ter outro especialista na sala, ao qual os médicos possam recorrer em busca de aconselhamento quando desejarem, ou ignorá-lo caso discordem.

Essa abordagem colaborativa entre humano e máquina é fundamental para a aceitação da tecnologia na prática clínica. A IA não substitui o julgamento do cirurgião, mas amplia sua capacidade de percepção. Em cirurgias de alta complexidade, onde milímetros podem fazer a diferença entre o sucesso e uma complicação grave, o suporte adicional pode reduzir riscos e melhorar os desfechos para os pacientes.

Próximos passos e estudo ampliado

Com o sucesso da primeira utilização em uma cirurgia real, a equipe está trabalhando em um estudo maior para avaliar o uso do sistema em mais pacientes. A pesquisa clínica é essencial para validar a eficácia e a segurança da IA em diferentes cenários cirúrgicos. Os resultados preliminares são promissores, mas ainda é necessário reunir evidências robustas antes que a tecnologia seja adotada em larga escala.

O caso de Hibbert demonstra que a IA pode reduzir o risco de danos a vasos sanguíneos em cirurgias hipofisárias, conforme os resultados preliminares do estudo. Ao fornecer orientação em tempo real, a IA pode ajudar cirurgiões menos experientes a alcançar resultados comparáveis aos de especialistas renomados. Além disso, pode padronizar a qualidade do cuidado em diferentes hospitais, reduzindo disparidades no acesso a tratamentos de alta complexidade.

A equipe médica informou que Hibbert recebeu alta em três dias e deverá retomar as atividades normais em duas semanas, com acompanhamento semestral. A equipe planeja testar a tecnologia em cirurgias de coluna e base do crânio, mas ainda não há previsão para outras especialidades. O futuro da medicina pode estar na colaboração entre a expertise humana e a precisão algorítmica.

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