Um novo estudo conduzido por pesquisadores do Mass General Brigham Cancer Institute, nos Estados Unidos, sugere que o consumo diário de bebidas adoçadas com açúcar pode estar associado a um risco maior de desenvolvimento de câncer gástrico entre adultos norte-americanos. A pesquisa, publicada em 17 de fevereiro de 2025 na revista Gastro Hep Advances, analisou dados de longo prazo e encontrou uma associação significativa, mas os autores ressaltam que não se trata de uma relação de causa e efeito.
Consumo diário e risco aumentado
Os pesquisadores acompanharam um grande grupo de participantes por vários anos, coletando informações detalhadas sobre saúde, alimentação e estilo de vida. Durante o período analisado, 278 participantes receberam diagnóstico de câncer gástrico. Ao cruzar os dados, a equipe observou que aqueles que consumiam ao menos uma porção de bebida adoçada com açúcar por dia apresentavam um risco 2,45 vezes maior de desenvolver a doença, em comparação com os que ingeriam menos de uma porção por mês.
Essa associação apareceu tanto entre homens quanto entre mulheres. No caso específico das mulheres que integravam o Nurses’ Health Study, o consumo superior a uma bebida açucarada por dia foi associado a um risco 3,04 vezes maior de câncer gástrico, em relação às participantes que raramente consumiam esse tipo de produto. Os números chamam atenção, mas os pesquisadores fazem uma ressalva importante: por se tratar de um estudo observacional, não é possível afirmar que as bebidas açucaradas sejam responsáveis pelo desenvolvimento do câncer.
Na pesquisa, a categoria de bebidas adoçadas com açúcar incluiu refrigerantes, ponches, limonadas e bebidas esportivas. Já os refrigerantes de baixa caloria foram classificados como bebidas adoçadas artificialmente. Curiosamente, a relação não foi identificada entre participantes que consumiam bebidas com adoçantes artificiais, o que sugere que o açúcar pode ser um fator relevante na associação observada.
Evidências anteriores e lacunas
Pesquisas anteriores já haviam relacionado o consumo de bebidas açucaradas a riscos maiores de câncer colorretal, de mama e de fígado. No caso do câncer gástrico, no entanto, os pesquisadores afirmam que havia menos evidências disponíveis, o que torna este estudo uma contribuição importante para a literatura científica. Ainda assim, eles destacam que são necessárias mais investigações para confirmar os achados e entender os mecanismos envolvidos.
Um dos pontos fortes da pesquisa é o tamanho da amostra e o longo acompanhamento, que permitiram ajustar a análise para diferentes fatores associados ao câncer gástrico, como idade, tabagismo e hábitos alimentares. Por outro lado, os autores apontaram limitações relacionadas à quantidade de informações disponíveis sobre infecção por H. pylori e histórico familiar de câncer gástrico, o que pode ter influenciado os resultados.
Papel da bactéria H. pylori
Os pesquisadores também analisaram separadamente a presença da bactéria Helicobacter pylori, ou H. pylori, cuja infecção está associada a um risco maior de câncer gástrico. Essa etapa envolveu um subgrupo de 940 participantes, dos quais pouco mais de um terço apresentou evidências de infecção pela bactéria. A análise não encontrou associação entre o consumo de bebidas adoçadas com açúcar e a presença de H. pylori, o que indica que a relação observada não é explicada pela infecção.
Outra limitação apontada pelos autores é que a população analisada era predominantemente branca, o que restringiu a avaliação de possíveis diferenças entre grupos raciais e étnicos. Essa falta de diversidade pode limitar a generalização dos resultados para outras populações, mas não invalida as conclusões obtidas.
O que isso significa na prática?
Embora o estudo não prove que as bebidas açucaradas causem câncer de estômago, ele reforça a importância de moderar o consumo desses produtos. Para reduzir o risco, especialistas recomendam limitar a ingestão de açúcar a menos de 10% das calorias diárias, conforme a OMS, trocando refrigerantes por água ou chás sem açúcar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere que o consumo de açúcares livres não ultrapasse 10% das calorias diárias, e idealmente fique abaixo de 5%.
Para quem deseja reduzir o consumo, uma dica prática é substituir refrigerantes e sucos industrializados por água, água com gás ou chás sem açúcar. Ler os rótulos dos alimentos também é essencial, pois muitos produtos considerados saudáveis escondem grandes quantidades de açúcar. Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer diferença na saúde a longo prazo.
Os pesquisadores do Mass General Brigham Cancer Institute planejam continuar investigando a relação entre dieta e câncer gástrico, com foco em outros fatores alimentares e na interação com a genética. Enquanto isso, os resultados deste estudo servem como um alerta para a população e para os profissionais de saúde sobre os potenciais riscos do consumo excessivo de bebidas açucaradas.
Fonte
- exame.com
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