A AngloGold Ashanti, mineradora com 192 anos de história no Brasil, adotou um modelo de trabalho mais flexível: escala 4×3 nas minas e home office no escritório corporativo. A mudança, iniciada em 2024, já reflete em melhorias nos indicadores de segurança, segundo a empresa. A companhia, que iniciou suas operações no país em 1834, é considerada a indústria em operação contínua mais antiga do Brasil.
Uma história que começa em 1834
A trajetória da AngloGold Ashanti no Brasil teve início em 1834, quando uma companhia inglesa chegou a Minas Gerais para explorar o chamado segundo ciclo do ouro. As primeiras operações ocorreram em São João del-Rei, na região central do estado. Posteriormente, a empresa transferiu suas atividades para Nova Lima, onde adquiriu a Mina Velha e passou a operar como São João del Rey Mining Company. Na década de 1960, a companhia passou a operar como Morro Velho, e no fim dos anos 1990 foi incorporada pela AngloGold Ashanti.
Essa longa trajetória consolidou a mineradora como uma das mais tradicionais do setor no país.
Vídeo: YouTube | Fonte: exame.com
Escala 4×3 e home office no escritório
No escritório corporativo, em Nova Lima, os funcionários trabalham de segunda a quinta-feira desde 2024, em um modelo que também prevê dois dias de home office. Nas minas, a antiga escala de seis dias trabalhados para um de descanso foi substituída por uma jornada de quatro dias de trabalho por quatro dias de folga. A mudança busca reduzir o desgaste físico e mental dos trabalhadores, especialmente em atividades de alto risco. Segundo a empresa, os indicadores de segurança melhoraram exponencialmente após a implementação.
A redução nos incidentes foi de 35% nos acidentes de alta frequência e baixo impacto, como torções, prensamentos de dedos e ocorrências relacionadas ao cansaço e à falta de atenção.
Mina Cuiabá: profundidade e tecnologia
A mina Cuiabá, em Minas Gerais, é um exemplo da complexidade operacional da AngloGold Ashanti. A operação chega a 1.600 metros de profundidade, o equivalente a quase duas vezes a altura do Burj Khalifa, que tem 828 metros. O trajeto até o fundo começa com cerca de quatro minutos de elevador até o nível 11, a aproximadamente 900 metros de profundidade. De lá, são mais 25 minutos de carro ou van para alcançar os níveis inferiores.
O elevador utilizado na operação tem dois andares e capacidade para transportar até 50 pessoas por viagem. Cerca de mil trabalhadores passam diariamente pela mina, distribuídos em diferentes turnos.
Desafios da extração de ouro
Para produzir apenas 6 gramas de ouro, é necessário desmontar cerca de uma tonelada de rochas. Esse dado ilustra a intensidade do trabalho e a importância de medidas que reduzam a fadiga. A mina Cuiabá é conectada por Wi-Fi e conta com mais de 400 roteadores instalados no subsolo, permitindo comunicação e monitoramento em tempo real. A adoção da escala 4×3, nesse contexto, visa não apenas o bem-estar dos funcionários, mas também a eficiência operacional.
A empresa não detalhou os custos envolvidos na mudança, mas afirma que os acidentes de alta frequência caíram 40% desde a implementação.
Perspectivas para o setor
Outras mineradoras, como a Vale, já estudam modelos semelhantes, segundo fontes do setor. A redução da jornada em ambientes de alto risco é uma tendência observada em diferentes indústrias, mas ainda pouco comum na mineração. A empresa, liderada por Luiz Otávio de Lima, CEO da AngloGold Ashanti Latam, não anunciou planos de expansão do modelo para outras unidades. No entanto, os resultados positivos em segurança podem servir de referência para futuras decisões. A empresa planeja divulgar um estudo sobre produtividade no próximo trimestre.
Fonte
- exame.com
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