O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia promete ampliar o acesso a vinhos europeus no Brasil, mas o impacto no preço final deve ser mais moderado do que muitos consumidores esperam. A redução da tarifa de importação é um passo relevante, porém está longe de ser o único fator que determina o valor na prateleira. Especialistas ouvidos apontam que o cenário mais provável é uma reconfiguração do mercado, com vinhos europeus migrando para faixas de preço intermediárias, sem se tornarem necessariamente baratos.
Impacto limitado no preço final
A tarifa de importação é relevante, mas está longe de ser o único fator determinante. O vinho no Brasil sofre incidência de múltiplas camadas tributárias e custos logísticos relevantes. A redução da tarifa europeia tende a ter impacto limitado na ponta. Existe expectativa de queda, mas mais limitada do que o consumidor imagina. A redução da tarifa de importação ajuda, mas não transforma o preço final de forma radical.
Mudança de posicionamento nos rótulos
Na prática, o consumidor realmente perceberá a diferença, mas dificilmente verá uma mudança abrupta. O cenário mais provável é uma mudança de posicionamento: vinhos europeus que hoje ocupam faixas mais altas podem migrar para categorias intermediárias, ampliando o acesso sem necessariamente se tornarem baratos. Vinhos europeus de entrada podem ganhar espaço no consumo do dia a dia, porém os rótulos clássicos continuarão com posicionamento aspiracional. A mudança maior deve ocorrer na faixa intermediária, onde há maior elasticidade de consumo. Essa faixa intermediária é justamente onde o mercado mais se movimenta e onde a disputa tende a se intensificar.
Disputa além do preço
O novo acordo deve movimentar o mercado sul-americano. A disputa não deve ser baseada apenas em preço, segundo o sommelier. É uma mudança de posicionamento do que uma guerra de preços. Reduzir preço de forma agressiva compromete valor de marca. A tendência é subir o nível qualitativo, reforçar identidade e trabalhar melhor segmentação de portfólio.
Benefícios estruturais para o mercado
Todos os elos da cadeia tendem a se beneficiar desse movimento, ainda que em níveis diferentes. O principal ganho é estrutural: o mercado brasileiro de vinhos tende a se tornar mais competitivo, sofisticado e maduro, impulsionado pelo aumento da concorrência e pela ampliação do acesso a produtos internacionais. O acordo abre caminho para um cenário mais competitivo e diverso, mas o impacto no bolso do consumidor deve ser mais gradual e moderado do que se imagina à primeira vista.
Fonte
- www.seudinheiro.com
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