Estratégia global para o investidor brasileiro
Em um esforço para conquistar investidores acostumados a aplicar exclusivamente no mercado brasileiro, o JP Morgan Asset Management revelou seu plano durante um encontro com jornalistas em São Paulo. Giuliano de Marchi, CEO para a América Latina, foi direto ao afirmar: “Eu não vou competir com os bancos locais. Quero ser o banco global do brasileiro”.
Portanto, a declaração resume a estratégia da gestora: oferecer produtos de alcance internacional como alternativa a uma Bolsa que, segundo seus executivos, pouco evoluiu nas últimas décadas.
Um Ibovespa preso ao passado
Nesse contexto, a apresentação da gestora trouxe números que expõem a estagnação do principal índice acionário do país. A tecnologia, motor das grandes transformações globais, representa apenas cerca de 1% do Ibovespa.
Mais revelador ainda é o fato de as cinco maiores empresas listadas serem praticamente as mesmas de 20 anos atrás:
- Petrobras
- Vale
- Itaú
- Bradesco
- Ambev
No entanto, a B3 figura como a principal novidade nesse período.
O dinamismo do mercado americano
Em contraste, nos Estados Unidos, o perfil das gigantes corporativas se reinventou por completo. Dessa forma, as maiores companhias americanas migraram de setores tradicionais para tecnologia e, agora, inteligência artificial, mostrando uma capacidade de adaptação às novas tendências.
Portanto, esse diagnóstico foi o pano de fundo para a crítica ao mercado de capitais brasileiro e a defesa da internacionalização dos investimentos.
A réplica de um gigante global
O que é o JTEK39
Nesse sentido, o veículo escolhido para essa empreitada é o recém-listado JTEK39. Isto é, trata-se de um ETF que replica o JPMorgan Equity Premium Income ETF (JEPI), estratégia focada em geração de renda recorrente que administra cerca de US$ 45 bilhões e é a maior de sua categoria no mundo.
Além disso, com um patrimônio desse porte, o JEPI se consolidou como um veículo procurado por investidores de todos os perfis.
Como foi viabilizado
Nesse aspecto, De Marchi explicou que a novidade só foi possível após uma mudança regulatória: “Foi simplesmente porque eu não podia fazer antes. Quando a CVM permitiu, nós listamos”.
Dessa forma, o lançamento do JTEK39 representa, na prática, a importação de um produto de sucesso comprovado para o mercado local. Ademais, essa estratégia já atrai bilhões de dólares nos Estados Unidos e chega ao Brasil com as mesmas características.
Acesso igualitário ao pequeno investidor
Cotas acessíveis e mesma taxa para todos
Por sua vez, Isabela Nunes, diretora comercial da gestora, enfatizou o caráter democrático do produto. Dessa forma, qualquer pessoa poderá comprar uma cota do JTEK39 na B3 por cerca de R$ 50 e pagar a mesma taxa de administração de 0,65% que é aplicada a grandes investidores institucionais no exterior.
“O pequeno investidor terá acesso exatamente ao mesmo produto que grandes fundos de pensão globais”, garantiu.
Portanto, para ela, trata-se de um avanço significativo, pois elimina a barreira que tradicionalmente separava os pequenos poupadores dos grandes clientes institucionais. Assim sendo, isso coloca o investidor brasileiro em pé de igualdade com gestores de recursos bilionários ao redor do mundo.
A lógica dos ETFs ativos
Analogia do CD versus streaming
Ademais, De Marchi recorreu a uma analogia para ilustrar a diferença entre os veículos de investimento. “Antes você precisava pegar o CD, colocar para tocar e esperar. Hoje você aperta um botão no celular e escuta a música na hora. Com investimentos é a mesma coisa”, comparou.
Vantagens do ETF
Enquanto um fundo tradicional calcula sua cota apenas no fechamento do pregão, um ETF é negociado continuamente na Bolsa, com transparência sobre os ativos e custos reduzidos.
Economia que faz diferença
Custos reduzidos e liquidez imediata
Além disso, segundo o executivo, um ETF equivalente costuma ser cerca de 30% mais barato do que um fundo tradicional, pois elimina parte da estrutura operacional necessária para a distribuição de cotas. Consequentemente, essa eficiência se reflete diretamente no retorno do investidor, tornando o produto atraente mesmo para quem dispõe de poucos recursos.
Além disso, a negociação contínua na Bolsa proporciona liquidez imediata, permitindo que o investidor ajuste sua posição a qualquer momento.
Os vencedores de 2030
Apesar da proposta inovadora, a gestora reconhece que o cenário é desafiador. Assim, Isabela Nunes destacou que “o nosso grande desafio é entender quem serão os vencedores de 2030”, referindo-se à velocidade com que a liderança na indústria de tecnologia se altera a cada ciclo de inovação.
A expectativa, contudo, é de uma mudança gradual no comportamento do investidor brasileiro, seguindo o mesmo caminho trilhado pelos Estados Unidos após a aprovação dos ETFs ativos em 2019.
Uma nova perspectiva de investimento
Por fim, com o JTEK39, o JP Morgan finca sua bandeira em um território ainda pouco explorado pelas gestoras internacionais no Brasil. Dessa forma, ao equiparar o pequeno poupador aos grandes fundos globais, a instituição aposta que a chave para o futuro está em oferecer não apenas um produto, mas uma nova perspectiva sobre como e onde investir.
Fonte
- exame.com
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