O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado, por meio de sua plataforma Truth Social, que um novo ataque militar ao Irã será adiado, desde que um acordo seja concluído rapidamente para interromper o programa nuclear iraniano e reabrir o Estreito de Ormuz.
A decisão foi comunicada logo após uma conversa telefônica com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, um aliado estratégico de Washington na região. Trump não nomeou as nações envolvidas, mas revelou que o Irã e outros países do Oriente Médio pediram mais tempo para finalizar um pacto que levaria à reabertura “imediata, completa e total” do estreito vital e ao “fim da ameaça nuclear iraniana”.
A declaração surge em um momento de escalada nos preços da energia, que já subiram 24% desde o fim do cessar-fogo de abril, pressionando a economia global.
Presidente condiciona ofensiva a acordo rápido
“Com base nesse pedido, concordei, para o benefício futuro do mundo e, da mesma forma, para a sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível chegar rapidamente a um acordo”, escreveu Trump no Truth Social. Ele acrescentou que Israel “une-se a mim nesse compromisso”.
Encontro com Netanyahu reforça aliança
A manifestação ocorreu em um contexto de intensa movimentação diplomática: na terça-feira, Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu já haviam se reunido em Washington. Um oficial israelense afirmou que eles exploraram todos os caminhos possíveis para conter o programa nuclear iraniano, incluindo diplomacia, pressão econômica e uso da força. A fonte não forneceu detalhes sobre o teor das conversas, mas o encontro reforça a aliança entre os dois países.
Bloqueio do Estreito de Ormuz eleva inflação
O Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz, uma passagem crucial para o mercado global de energia. Antes da guerra, o canal respondia por 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) transportados no mundo.
Petróleo Brent sobe 24% e pressiona inflação
Esse bloqueio provocou um aumento significativo nos preços da energia e alimentou uma inflação mais ampla, atingindo economias desenvolvidas e emergentes. Com o fim do cessar-fogo de abril no conflito, os contratos futuros do petróleo Brent já acumulam alta de 24%. Analistas consultados pela agência Reuters projetam que os preços continuarão subindo ao longo deste ano, pressionando ainda mais os custos globais.
Israel coordena segurança e mantém ameaça
O ministro da Energia de Israel, Eli Cohen, que também integra o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, declarou que há uma coordenação estreita de inteligência e segurança entre Israel e os Estados Unidos sobre todos os desdobramentos regionais.
“Tomaremos medidas e atacaremos”, afirma Cohen
Cohen foi categórico: “Com ou sem acordo, e independentemente de quaisquer compromissos externos, se o Irã tentar retomar seu programa nuclear ou avançar em sua indústria de mísseis balísticos, estaremos lá. Tomaremos medidas e atacaremos”. A fonte israelense não detalhou eventuais planos militares, mas a mensagem sinaliza que Israel não hesitará em agir unilateralmente caso perceba ameaças iminentes.
Negociadores americanos tentam saída diplomática
Durante uma reunião de gabinete na sexta-feira, Trump demonstrou confiança na equipe que lidera as negociações com o Irã. O time inclui seu genro Jared Kushner, o enviado especial Steve Witkoff e o secretário de Estado Marco Rubio.
Prioridade é evitar armas nucleares iranianas
O presidente argumenta que o objetivo de impedir que o Irã obtenha armas nucleares é prioritário, mesmo que isso resulte em aumento temporário nos custos de combustível. Contudo, a pressão política sobre o governo cresce à medida que a guerra prolongada e a alta da energia geram insatisfação interna e ameaçam a recuperação econômica. A fonte não detalhou os termos em discussão, mas sinalizou que um entendimento poderia ser a chave para encerrar o conflito.
Ameaça se espalha para o Mar Vermelho
Para complicar o cenário, os aliados houthis do Irã no Iêmen passaram a ameaçar o Estreito de Bab el-Mandeb, localizado na outra extremidade do Mar Vermelho, próximo ao Canal de Suez. Essa é uma rota vital para as exportações de petróleo da Arábia Saudita.
A movimentação eleva o risco de uma crise energética ainda mais profunda, pois qualquer interrupção nesse ponto estratégico poderia estrangular ainda mais o fornecimento global de combustíveis. A comunidade internacional observa com apreensão o alastramento das hostilidades para essa via marítima essencial.
Acordo nuclear segue sem garantias
Teerã nega oficialmente que busque armas nucleares, e até o momento não há confirmação de que as negociações tenham avançado significativamente. A pressão internacional e os custos econômicos crescentes, no entanto, colocam o governo Trump em uma encruzilhada. A possibilidade de um acordo permanece condicionada à rapidez das conversas e à confiança mútua, em um tabuleiro geopolítico cada vez mais volátil.
Enquanto isso, os mercados seguem atentos a cada movimento diplomático, cientes de que qualquer ruptura pode levar a uma nova escalada militar. Fontes próximas às negociações não revelaram prazos, e a comunidade internacional aguarda sinais concretos de desescalada.

