Um cenário de poucos sobressaltos
Os shoppings brasileiros devem encerrar o quarto trimestre de 2025 com um cenário de poucos sobressaltos. O setor deve repetir tendências já observadas no trimestre anterior, com vendas ainda em crescimento, porém em ritmo mais moderado.
Essa desaceleração sinaliza um avanço mais contido da atividade dentro dos empreendimentos, conforme projeções do mercado. A expectativa é de indicadores ainda saudáveis, com baixas taxas de vacância e inadimplência, além de crescimento real dos aluguéis.
Esse panorama contribui para resultados sem grandes surpresas entre as companhias de shoppings acompanhadas pelo BTG.
O destaque do segmento logístico
Em meio a esse contexto, o segmento logístico deve apresentar, mais uma vez, desempenho superior. Esse resultado é sustentado pela forte demanda e pela alta no ticket médio, fatores que impulsionam o setor mesmo diante de uma desaceleração geral.
Por outro lado, o crescimento do FFO (Fundos de Operações, na tradução para português) deve permanecer fraco. Essa fraqueza reflete uma combinação de expansão moderada da receita líquida e despesas financeiras mais elevadas, conforme análise do BTG.
Esse cenário reforça a leitura de estabilidade, mas sem catalisadores relevantes no curto prazo.
Ativos defensivos em evidência
Os shoppings listados em bolsa mantêm a reputação de ativos defensivos. Essa característica se refletiu também no desempenho das ações ao longo dos últimos 12 meses, destacando a resiliência do setor em momentos de volatilidade.
Além disso, o BTG projeta uma desaceleração nas vendas dos lojistas em relação ao primeiro semestre de 2025. A estimativa é de um crescimento de cerca de 5% nas vendas mesmas lojas (SSS) no quarto trimestre, um ritmo mais contido que reflete o momento econômico.
Essa projeção indica que, apesar do avanço, o setor enfrenta desafios para manter o ímpeto anterior.
Projeções distintas para as empresas
SYN: volatilidade e crescimento do FFO
No caso da SYN, a expectativa é de um trimestre mais volátil. O BTG estima receita líquida da SYN de R$ 56 milhões, queda de 11% na base anual.
Em contraste, o FFO da SYN deve crescer de forma relevante, alcançando R$ 14 milhões, avanço de 185% em relação ao quarto trimestre de 2024. No entanto, esse avanço parte de uma base comparativa baixa, o que requer cautela na análise.
HBR: crescimento da receita e FFO negativo
Por outro lado, a HBR deve apresentar crescimento expressivo da receita, com projeção de R$ 65 milhões, alta de 61% na comparação anual.
O FFO da HBR permanece negativo, estimado em -R$ 20 milhões. Esse resultado negativo é ainda impactado pelo nível elevado de alavancagem, um fator que continua a pressionar os indicadores da empresa.
Desafios financeiros persistentes
Em resumo, o setor de shoppings segue em terreno estável, mas com nuances importantes entre as companhias. Enquanto algumas apresentam recuperação em certos indicadores, outras ainda lidam com obstáculos estruturais.
Essa diversidade de cenários reforça a necessidade de análise individualizada para cada ativo. A fonte não detalhou perspectivas específicas para outras empresas do setor além da SYN e HBR.

